segunda-feira, dezembro 31, 2007


A Livraria Minerva Galeria e as Edições Minerva Coimbra
desejam a todos um Santo Natal e um Feliz Ano Novo.


Natal

Sobre a palha loura
Dorme, a rir, Jesus:
Tudo a rir se doura
De inocente luz.

Há no olhar etéreo
Do boizinho lento
Sonhos de mistério
Num deslumbramento…

Chegam pegureiros:
Chegam-se ao redor,
Tal e qual cordeiros
Para o seu pastor.

Anhos que vêm vindo
Põem-se a meditar:
Que zagal tão lindo
Para nos guiar!

Ajoelham magos,
— Êxtase profundo!…
Com os olhos vagos
No Senhor do Mundo…

E a banhada em pranto
Mãe se transfigura,
Por divino encanto,
Numa Virgem pura.

Guerra Junqueiro

sábado, dezembro 22, 2007

Valdemar Peixoto na Galeria Minerva



A Galeria Minerva tem patente uma exposição de pintura de VALDEMAR PEIXOTO, até ao próximo dia 16 de Janeiro, de segunda a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 19h00.

Durante a inauguração, Paulino da Mota Tavares falou da obra do artista e José Machado Lopes leu poemas de Valdemar Peixoto e de Paulino Mota Tavares.


Valdemar Fernando Cabral Peixoto é natural de Coimbra. Estudou desenho e pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto e contactou com artistas como Valdemar da Costa e a pintora Lúcia Maia.

Participou em várias exposições individuais e colectivas em Portugal e no estrangeiro.








O grande poeta latino a quem chamamos Horácio (65.8 A.C.) afirma em seus versos, cheios de vida e beleza, que o mercador do mar agitado, “refaz as embarcações quebradas e é incapaz de sofrer a mediania”.

Assim também o pintor, que luta contra a materialidade das coisas, ele próprio refaz constantemente o mundo, tornando-se incapaz de lhe sofrer os contornos e exactidões. Mais, ele, o artista, sempre interroga as formas e as cores, tudo reconstrói e tudo redime, recusando assim a vulgaridade e a mediania.

O artista aqui, é, naturalmente, Valdemar Peixoto.

Tendo estudado desenho e pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto e contactado com artistas como Valdemar da Costa, desde cedo se deixa atrair pela aguarela, pelo jogo dos volumes, pelo exercício do esfumado, do traço rigoroso, do corpo humano, da sublimidade da cor.

Aprecia Chagall, Picasso, Cézanne, Matisse ou Vieira da Silva e não dispensa a música, compositores como Mozart, Bach, Beethoven, nem deixa de ouvir os magníficos sons da guitarra de Carlos Paredes. Gosta de pintar arquitecturas, barcos, cavalos e cavaleiros, a nudez feminina, turbulências ou figuras tão paradigmáticas como D.Quixote ou Inês de Castro. Interpreta a natureza como um espaço onde o claro-escuro se manifesta e, indefinidamente, se contraria.

Com manchas, linhas geométricas, velaturas, fogo e cinzas, o artista vai construindo ideias e propostas estéticas que nos revelam a tangencia das coisas, ou seja, o imediato sempre a acontecer, a mudar e a interrogar o Homem e a sua mesma circunstância.

Resta-nos olhar e ver os trabalhos de Valdemar Peixoto: obras como “Monumento Azul”, inspirado no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha; “D.Quixote e o seu pequeno Mundo”, “Concerto no Bar”, “O maestro”, “O caos das colunas” ou “O ensaio das coristas”.

A partir desta observação atenta poderemos avaliar liminarmente o talento do artista que interpreta tudo o que o rodeia e que tudo transforma e ilumina.

Mais uma vez, a lembrança: o artista é neste caso e nesta hora, Valdemar Peixoto, a quem agradecemos e vivamente felicitamos.

Paulino Mota Tavares











sexta-feira, dezembro 21, 2007

O livro dos beijos



As Edições MinervaCoimbra lançaram mais um volume da Colecção Poesia Minerva, dirigida por José Ribeiro Ferreira, desta vez o livro “Mil Vezes Mil Beijos. O livro dos beijos”, de Jean Everaerts, com introdução, tradução do latim e notas de Carlos Jesus.

“No início do século XVI, período caracterizado por um forte fascínio pelos textos clássicos, houve um poeta que, mais do que qualquer outro, dedicou ao tema do beijo grande parte da sua musa”, refere Carlos Jesus. Efectivamente, “colhendo inspiração no latino Catulo, Jean Everaerts compôs todo um livro a que se deu, após a sua morte, o sugestivo nome de Basorium Liber (O Livro dos Beijos)”.

Neste livro, explica ainda Carlos Jesus, o seu tradutor, “cada poema elegíaco representa, intencionalmente, um beijo, uma modalidade de beijar, uma reflexão diferente sobre o tocar mais ou menos apaixonado, mais ou menos violento de dois lábios ardentes de paixão”.

Em Jean Everaerts “o beijo é o veículo para a paixão e para o amor, para o prazer sexual ou para a simples contemplação da amada. Ele está presente em todos os poemas, sendo ora um ponto de partida, ora um fim, ora mesmo algo que a início é negado para aumentar o prazer quando, finalmente, tal beijo for consumado”.

José Ribeiro Ferreira, que apresentou a obra, recorda que Everaerts utiliza vários termos para designar o beijo. “Usa os termos basium “beijo”, suaviolum “beijinho”, mais terno, e ainda osculum o beijo mais inocente”. Depois há ainda o beijo platónico e o beijo enquanto sopro de vida. O poeta chega mesmo a dissertar sobre “o número de beijos que devem ser trocados entre os amantes, uma vez que já se deram bis mille basia (duas vezes mil beijos)”, refere ainda o professor de Estudos Clássicos.

Para José Ribeiro Ferreira, Jean Everaerts é um “exímio poeta erótico”, opinião partilhada por Carlos Jesus, que considera o seu erotismo “sugestivo, tantas vezes sinestésico”. Mas Everaerts distingue-se ainda pela expressividade, pela ousadia e pela qualidade do verso latino, de que é um exímio cultor.

No final da sessão, Amélia Campos e Miguel Sena, do grupo Thíasos da FLUC, leram alguns dos poemas de “Mil Vezes Mil Beijos”.

Carlos Jesus está neste momento a realizar um doutoramento em literatura grega na Universidade de Coimbra e tem já cerca de duas dezenas de trabalhos publicados. Tem também desenvolvido trabalho no âmbito do teatro clássico, sendo actor e encenador do grupo Thíasos da FLUC.











MinervaCoimbra lança colecção infantil



As Edições MinervaCoimbra lançaram uma nova colecção, intitulada “Letras Pequenas”, cujo primeiro volume foi recentemente apresentado pelo psicólogo Eduardo Sá. Trata-se da história “Daniel e o bicho da lanterna”, da autoria de Noémia Malva Novais, com ilustrações de Inês Massano. Segundo Isabel de Carvalho Garcia, esta pretende ser uma “colecção de histórias breves e de fácil leitura, com ilustrações coloridas e belas”.

Quanto ao primeiro volume, agora editado, Eduardo Sá considera-o ternurento. “É um livro que nos abre para exercícios de ternura por parte dos pais em relação aos filhos”, afirmou, acrescentando que “os mimos são a vitamina do crescimento”.

De acordo com o psicólogo, “as crianças são o melhor de nós, adultos” que, assegurou, “se tornam iguais ao rezingão”, o famoso anão da história da Branca de Neve e os 7 anões. “Os adultos que são capazes de imaginar o que as crianças sentem premeiam-nos com livros como este”, referiu ainda Eduardo Sá.

O livro conta a história de um menino, o Daniel, que sonhou que tinha uma lanterna onde estava um bicho. “Os pais ficam muito assustados com os pesadelos das crianças, como se crianças saudáveis não tivessem legitimidade para estarem zangados e não pudessem encenar a sua zanga em pesadelos”.

Este primeiro volume da Colecção Letras Pequenas foi apoiado pela REN – Rede Eléctrica Nacional, que comprou mil exemplares para distribuir neste Natal por crianças carenciadas.






















quinta-feira, dezembro 20, 2007

Segredos do Sub-Mundo



As Edições MinervaCoimbra lançaram recentemente, em Braga, o livro SEGREDOS DO SUB-MUNDO, de Júlia Durand, cuja apresentação esteve a cargo de António Costa Santos.

SEGREDOS DO SUB-MUNDO é o n.º 2 da Colecção Geração21 e Júlia Durand é, actualmente, a mais jovem autora das Edições MinervaCoimbra, com apenas 13 anos.



terça-feira, dezembro 18, 2007

O livro dos beijos




Carlos A. Martins de Jesus é licenciado em Línguas e Literaturas Clássicas e Portuguesa pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (2005), mestre pela mesma Faculdade, com a tradução e estudo da comédia As Vespas de Aristófanes (2007), e iniciou já a investigação com vista ao doutoramento em letras, na especialidade de literatura grega.

Com cerca de duas dezenas de trabalhos publicados, entre livros, notícias, comunicações e artigos em revistas da especialidade, tem desenvolvido estudos sobre literatura grega, com destaque para a poesia arcaica e, em especial, Arquíloco de Paros (séc. VII a.C.), autor cuja tradução dos fragmentos poéticos tem no prelo. Traduziu o Manual de Epicteto (Arte de Viver, ed. Sílabo, 2007) e, como colaborador do projecto de tradução completa do teatro clássico, tem para sair As Vespas de Aristófanes e As Suplicantes de Ésquilo. É membro da SoPlutarco e da International Plutarch Society. A par da literatura grega, também a poesia erótica latina (e a nela inspirada) tem merecido a sua atenção, facto de que o presente livro é talvez a maior prova.

Tem ainda desenvolvido um trabalho contínuo no âmbito do teatro de tema clássico, integrando o grupo Thiasos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra como actor e encenador.