quarta-feira, maio 31, 2006

Festa "brava" em Montemor-o-Velho



As Edições MinervaCoimbra e a Câmara Municipal de Montemor-o-Velho promoveram no passado sábado o lançamento do livro de crónicas taurinas QUITES, DETALHES E PUYAZOS de João Cortesão.

A iniciativa contou com a presença de cerca de 250 pessoas, e além da apresentação do livro por Ana Paula Arnaut, incluiu ainda a lide de uma novilha por um jovem toureiro de Santarém, a degustação de sabores da Gândara e do Baixo Mondego, com maior incidência no concelho de Montemor-o-Velho, rematando as comemorações, noite fora, com "detalhes" de fado, cante hondo e guitarra clássica.

Além da reportagem fotográfica que aqui deixamos, ficam também excertos do texto de Ana Paula Arnaut sobre a obra de João Cortesão.






Na Advertência a Uma Campanha Alegre (de 1890-1891, resultado da refundição de textos publicados cerca de 20 anos antes n’As Farpas), Eça de Queirós, ao mesmo tempo que se interroga sobre a actualidade da crítica então feita, dá conta do objectivo que, em conjunto com Ramalho Ortigão, o havia levado a participar em tal projecto de escrita. Assim, segundo afirma, ele e Ramalho, “convencidos (…) que a tolice tem cabeça de touro,” decidiram “farpear até à morte a alimária pesada e temerosa”. Desta forma, na morte à tolice que se propunha levar a cabo, farpeia, em finas tonalidades de inteligência e de ironia as várias partes do cachaço de uma sociedade, de um País, que, citando o autor, “perdeu a inteligência e a consciência moral”. Não escapam, por conseguinte, à vertente crítica queirosiana (numa actualidade surpreendente e fascinante), aspectos como a realeza, a política nacional, o jornalismo, a literatura, o teatro, a família (o papel do homem e da mulher), etc, etc…






Organizado em múltiplos capítulos respeitantes ao universo, ao mundo, da tourada, Quites, Detalhes e Puyazos parece querer cumprir a mesma função de, pela ironia e pelo riso (um “riso que peleja”), farpear o cachaço dessa alimária – agora taurina – que, como sabemos, tem dado azo a reacções de espécie variada, num espectro que, seguramente, se estende do amor incondicional ao ódio visceral (e muitas vezes pouco justificado) dos anti-aficionados. A ilustrar o grupo destes últimos, e deixando de lado, entre outros aspectos, as recentes e bem conhecidas polémicas sobre touradas e os touros de morte em Portugal, relembro, a título de curiosidade arqueológica, que é possível encontrar no reinado de D. Maria II um Decreto ( nº 229 do Diário do Governo, 1836) que, oficialmente, põe um fim efectivo no popular espectáculo: Considerando que as corridas de touros são um divertimento bárbaro e impróprio de nações civilizadas, bem assim que semelhantes espectáculos servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade, e desejando eu remover todas as causas que possam impedir ou retardar o aperfeiçoamento moral da Nação Portuguesa, hei por bem decretar que de ora em diante fiquem proibidas em todo o reino as corridas de touros.





A popularidade das corridas de touros, normalmente associadas à ideia de marialvismo, é ainda facultada por menções feitas no âmbito de obras de outros autores. Eça de Queirós retoma/refere a “Última corrida…” em “Singularidades de uma rapariga loura” (1874, publicado postumamente em Contos, 1902) e, em Os Maias, por exemplo, e apesar de não ser narrado nenhum episódio relativo a uma tourada, já que a preferência do narrador se desvia para o relato de uma corrida de cavalos, existem comentários directos, e também sugestões indirectas, que apontam para o facto de este não ser um assunto ausente do romance publicado em 1888. Existe, além disso, um manuscrito (nº 258) que aponta para a hipótese de Eça ter ponderado a inclusão neste romance de uma corrida de toiros. Bem concreto é o facto de, no capítulo X, Afonso da Maia observar que “O verdadeiro patriotismo […] seria, em lugar de corridas, fazer uma boa tourada”, acrescentando que, “Cada raça possui o seu sport próprio, e o nosso é o toiro: o toiro com muito sol, ar de dia santo, água fresca, e foguetes”.





Em época bem mais recente, no universo narrativo de As Noites Afluentes (2001), António Arnaut faz radicar, ficcionalmente (ou, se calhar, não tão ficcionalmente quanto isso… quem poderá ter a certeza?), a origem remota da tradição nos idos tempos dos lusitanos e do deus Endovélico, a quem, por costume, se sacrificavam touros. Segundo reza o conto deste autor, o Sumo-Sacerdote lusitano preparava-se para, ritualmente, proceder ao sacrifício do touro quando este, aproveitando “uma indecisão das correias que o prendiam”, arremete “contra o oficiante”, matando-o. Perante isto, o chefe lusitano terá dito: “A partir de hoje e para sempre, quando um da tua raça vir a cor deste sangue, há-de percorrer-lhe o corpo um fogo de espadas vingativas. E uma espada apagará a tua rebeldia!”. E, de seguida, “o próprio chefe tomou a espada e enterrou-a, de um só golpe, no coração dadivoso do touro”.






Voltemos, todavia, e sem mais delongas, ao nosso Quites, Detalhes e Puyazos, onde as pequenas histórias relativas ao universo de touradas, touros, toureiros e outros ingredientes e cenários afins se consubstanciam, como acima disse, numa tonalidade crítica e humorística que não passa despercebida, que não pode passar despercebida, nem mesmo ao mais ingénuo e desconhecedor dos leitores.





Intercaladas por muito elucidativas e às vezes acintosas ilustrações da autoria de Gonçalo Almeida e por comentários-testemunhos de vários familiares, amigos e amigas do autor – onde ficamos a saber da enorme estima que todos lhe dedicam, de algumas das suas vivências, do seu entusiasmo pelo espectáculo taurino, ou, ainda, entre outros dados, do embrião deste seu projecto de escrita (o convite feito para participar no “Farpas”, veja-se o testemunho de Miguel Alvarenga) –, as mais de três dezenas de crónicas do livro em apreço não poupam, creio, nenhum ponto do cachaço da alimária, isto, é, da “festa brava”.




Se bem que, julgo, já quase todos aqui presentes conheçam a larga maioria dos textos, não posso deixar de referir, a propósito, alguns excertos de várias crónicas. Por motivos óbvios, interessou-me particularmente a primeira delas, intitulada “Aficionadas/Mea culpazinha…”. Nesta, depois de uns breves três parágrafos em que dá conta da existência de um grupo de mulheres, de representatividade reduzida, que, de facto, aprecia o espectáculo e sabe das coisas taurinas, João Cortesão propõe uma possível divisão do público feminino em subgrupos que apresentam, como veremos de seguida, características variadas. A tipologia sugerida subdivide-se, pois, em: aficionadas de contacto ‘decorativo-passivas, aficionadas do lado do boi ‘falsas sofredoras’, aficionadas de segunda intenção, aficionadas festeiras, aficionadas descascadas, aficionadas familiares e, finalmente, aficionadas íntegras.




Não se pense, contudo, que eles, os aficionados, escapam ao olhar criticamente perscrutador de João Cortesão. Dando conta da sua quota-parte de responsabilidade na crise que envolve as corridas de touros, estes são divididos em aficionados bonzões, doentios, PH7 ‘tipo Melhoral’ e marretas. Sendo embora a tipologia utilizada bastante elucidativa, cito a definição das duas últimas categorias.



Nesta, como na crónica anterior, ou, para o efeito, em todas as crónicas de Quites, Detalhes e Puyasos, chama particular atenção o subtítulo. Com efeito, fazendo, regra geral, variações de tom e de cor e, por consequência, de grau, de intensidade, em torno do substantivo culpa, João Cortesão consegue apontar, desde logo, e de modo muito incisivo – numa farpa muito bem aplicada – quer o seu posicionamento (e também as suas afectividades) perante as personagens que constituem matéria das suas crónicas quer a quota-parte de responsabilidade na crise da Festa que julga existir em cada um dos grupos intervenientes. Exemplifico: mea culpazinha (Aficionadas); mea culpa e mea (Aficionados); culpa e mea (Empresários); grandes culpas (Figueira da Foz versus Sr. Manuel Gonçalves); mea culpa, mea culpa, mea culpa… Ámen (Igreja); tanta culpa (Misericórdias, autarquias e sociedades privadas proprietárias de praças de toiros); mea culpa, sem desculpas (Políticos); alguma culpa (Amadores); quase sem culpas (Forcados); completamente isentos de culpa (Campinos) …



Até mesmo as moscas, por mais estranho que possa parecer, têm a sua culpa. Culpa diferente da dos empresários, da dos directores de corrida, ou dos políticos têm estas moscas, é certo, mas é justamente por isso que varia a intensidade do tom, bem como o grau de mágoa, de desalento ou de ironia com que se fala, ou melhor, se escreve.
Em todo o caso, de uma maneira ou de outra, em tom mais ou menos eufórico ou em cores mais ou menos sombrias, a verdade é que este conjunto de textos só podia ter sido escrito por alguém que se preocupa, de facto, com A FESTA e com os seus intervenientes; alguém que procura a verdade, ou procura repor a verdade; alguém que, em suma, por isso, queira ver denunciadas injustiças de índole diversa.





terça-feira, maio 30, 2006

Lançamento - Penafiel

As Edições MinervaCoimbra numa iniciativa da Câmara Municipal de Penafiel vão fazer a apresentação do livro O RECONFORTO DA TELEVISÃO. UMA VISÃO DIFERENTE DA TRAGÉDIA DE ENTRE-OS-RIOS, de DANIELA SANTIAGO (jornalista da RTP).

A apresentação será feita por Paulo Teixeira (Presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva).

A sessão terá lugar no próximo dia 2 de Junho de 2006, pelas 21h30, no Auditório da Biblioteca Municipal em Penafiel.


"Daniela Santiago a partir do envolvimento em que se viu metida neste acontecimento como repórter de televisão, mas no duplo papel de autora de uma tese de um curso de mestrado que frequentava, encetou uma via difícil, quiçá perturbante e polémica. Foi à busca de uma interrogação que pôs a si própria: Poderá a televisão, ou a reportagem televisiva, em situações de tragédia humana, desempenhar uma função de reconforto junto das vítimas e familiares envolvidos no acontecimento?

A autora pretende provar que «apesar de todas as críticas acerca do trabalho dos jornalistas» a comunicação social «desempenhou um papel extremamente importante para a população local». E quer confirmar de alguma maneira, esta hipótese, pelo perscrutar dos muitos depoimentos que ouviu e pela observação directa que fez em pleno desenvolvimento da desgraça que atingiu aquela população. Daniela Santiago quer «comprovar que a televisão pode ajudar a superar momentos de dor, sofrimento e mesmo isolamento exercendo função de reconforto».

Caberá ao leitor avaliar o conhecimento que este texto lhe traz, uma vez que este livro, agora editado e divulgado pela MinervaCoimbra, - como diz a própria autora - tem uma finalidade em especial: fazer sentir ao grande público a tragédia de 4 de Março de 2001, acontecida em Entre-os Rios, e tentar contribuir para que as pontes que se constróem, onde quer que seja, jamais se abatam pela incúria dos homens." - José Manuel Paquete de Oliveira


DANIELA SANTIAGO, nasceu em Lisboa a 21 de Fevereiro de 1974, mas cresceu na Covilhã onde frequentou o ensino secundário, o Conservatório de Música, em piano, e iniciou a aventura da comunicação na Rádio e Imprensa locais. Acabou por “ceder” ao “bichinho de jornalismo” e, aos 18 anos, voltou à terra natal para ingressar no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa, onde se licenciou em Comunicação Social com especialização em Jornalismo. É Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, pelo ISCTE, onde centrou as suas investigações nos efeitos da projecção mediática em situações de tragédia, com incidência no desastre de Entre-os-Rios. É essa mesma dissertação de Mestrado que dá corpo a esta obra. Frequenta o Programa de Doutoramento em Sociologia no ISCTE, sempre com o jornalismo como objecto de estudo. Daniela Santiago é desde Janeiro de 1997 jornalista da RTP. Actualmente desempenha funções na editoria de Política Nacional.

Este é o segundo livro da autora. A jornalista escreveu também “Inferno no Paraíso – 15 dias no Sri Lanka depois do tsunami”. Uma obra publicada pela MinervaCoimbra, quatro meses depois do tsunami que devastou o sudeste asiático, que relata o trabalho, a serviço da RTP, e o testemunho de Daniela Santiago na cobertura de um dos acontecimentos mais trágicos no início do século XXI e que, decerto, ficará na história.

Este volume é o n.º 43 da Colecção Comunicação dirigida por Mário Mesquita.

sábado, maio 27, 2006

Orlando Raimundo recordou em Coimbra caso Carrilho



Numa iniciativa promovida pelas Edições MinervaCoimbra e pela Área de Ciências da Comunicação, das Organizações e dos Media da ESEC, decorreu na ESEC um debate à volta do livro “A Entrevista no Jornalismo Contemporâneo”, com a presença do autor, o jornalista Orlando Raimundo, do semanário Expresso, e de Álvaro Vieira, jornalista do Público e docente naquela escola.
O livro de Orlando Raimundo é um ensaio que clarifica o que é uma entrevista, que tipos de entrevista existem, a que regras deverá obedecer a sua realização, que competências se exigem aos que a preparam, conduzem e editam e quais as responsabilidades, deveres e limites dos jornalistas na formatação do conteúdo final.
Para o jornalista, “nem todos os entrevistadores têm a capacidade de fazer falar e saber ouvir. Do mesmo modo que nem todos os entrevistados se deixam conduzir por quem os interroga, exprimem com clareza o que pensam ou dizem sinceramente o que sabem”. Assim, o êxito da entrevista “não depende apenas de saber fazer perguntas e ser capaz de gerir silêncios”, refere Orlando Raimundo. “Há todo um conjunto de circunstancialismos temporais e logísticos, condicionantes da informação, inteligência e saber, escalas de valores e formas de reagir, do domínio do carácter, que se chocam ou harmonizam ao longo de toda a conversa”.
Ainda segundo o autor, “sem a margem de criatividade da reportagem, o campo de liberdade do comentário ou o contorno literário da biografia, a entrevista vale em grande parte o que valer quem a prepara, o esforço prévio que realiza para esse fim e a consonância dos dois protagonistas com a actualidade, o domínio linguístico que possuírem ou a presença de espírito que forem capazes de assumir”. Não há, por isso, “sorte nem azar na entrevista. Quando ela falha é porque o entrevistado falhou”.
Tema de debate foi também o caso Carrilho, pormenorizadamente abordado no livro de Orlando Raimundo, quando em, 1999, o então ministro da Cultura reuniu em livro 21 entrevistas e alguns artigos de sua autoria, publicados em diversos órgãos de comunicação social entre 1995 e 1999.
Tudo “com uma originalidade desconcertante”, recordou Orlando Raimundo. “As entrevistas tinham sido todas alteradas, na maioria dos casos profundamente, chegando o desrespeito ao ponto de se modificaram não apenas as respostas mas, até, algumas perguntas”. Mais. “Os jornalistas que realizaram as entrevistas não só não foram advertidos para a cirúrgica intervenção ministerial, como nem sequer foram consultados ou informados sobre a decisão de as republicar”.
Como se tudo isto não bastasse, “após o lançamento do livro, descobriram, com espanto e indignação, que a sua assinatura tinha sido pura e simplesmente suprimida da edição”.

sexta-feira, maio 26, 2006

QUITES, DETALHES E PUYAZOS


O Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Dr. Luís Leal, as Edições MinervaCoimbra e o Autor, convidam para o lançamento do livro
“QUITES, DETALHES E PUYAZOS”
de JOÃO CORTESÃO.

A apresentação será feita pela Prof. Doutora Ana Paula Arnaut, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Dia: 27 de Maio
Hora: 17h30
Local: Castelo de Montemor-o-Velho

Os Direitos do Autor serão doados à Associação de Paralisia Cerebral-Núcleo Regional do Centro.

Programa:
17h30 - Recital de Música pelo Conservatório de Música de Coimbra, Canto e Drama
18h00 - Apresentação do livro
18h30 - Lide de uma novilha por um jovem toureiro
19h00 - Degustação de sabores da Gândara e do Baixo Mondego, com maior incidência no concelho de Montemor-o-Velho, rematando as comemorações com "Detalhes" de fado, cante hondo e Guitarra Clássica

Gastronomicamente serão apresentados à Vossa apreciação:

ENTRETENS: Tremoços, figos secos, azeitonas, línguas de gato, morcela mondeguenha e chouriço de Montemor.

SOPA: Gandareza

PEIXES: Escabeche pobre-frio de sardinha quente e carapau e punheta de bacalhau de Verão

CARNES: Míscaros com presunto, iscas com cebola murcha, arroz pardo de miúdos e vitela no espeto acompanhada de geleia e compotas

SOBREMESAS: Pastéis de Tentúgal e queijadas de Pereira

BEBIDAS: Vinho tinto e branco, abafado, água e bagaço

quarta-feira, maio 24, 2006

Mia Couto foi tema de Terça-Feira de Minerva















A Livraria Minerva promoveu mais uma sessão das Terças-Feiras de Minerva, desta vez com a presença de Maria Teresa Pinho que falou sobre o escritor Mia Couto e o seu livro "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”.
Segundo Maria Teresa Pinho, “«Um rio...» é um título que aponta para o conteúdo do livro, sem deixar, ao mesmo tempo, de fazer valer a sua natureza metafórica e a sua função simbólica. Há nele uma certa ambiguidade mas uma forte intencionalidades por aquilo que desvela e por aquilo que oculta. Tal como nos outros livros de Mia Couto, «Um rio...» situa-se no plano do maravilhoso fantástico que propicia o sonho e o devaneio”.















A Maria Teresa Pinho seduz “não só o encantamento que emana do universo que com ele percorremos, das lendas, dos provérbios, das falas, nem só a música e a magia que se desprendem as gostosas palavras que com inteligência e humor reinventa a cada passo, dando-lhes uma nova dimensão, mas é, principalmente, a emergência da poesia que brota da sua escrita”. Mais do que um criador de palavras, Mia Couto é, referiu ainda, “um poeta reinventando a prosa”.















Maria Teresa Pinho é licenciada em Farmácia e tem o Curso de Ciências Pedagógicas. A sua actividade profissional desenvolveu-se sempre na Faculdade de Farmácia, onde foi docente na área de química e toxicologia.

segunda-feira, maio 22, 2006

Quites, Detalhes e Puyazos no Diário As Beiras

“QUITES, DETALHES E PUYASOS”
Minerva edita livro de João Cortesão sobre tauromaquia


O trabalho consiste num conjunto de artigos sobre os intervenientes na “festa” publicados na revista “Farpas”, agora comentados pelos visados.

A obra “Quites, Detalhes e Puyasos”, em que João Cortesão caracteriza cada um dos intervenientes na “festa brava”, vai ser lançada pelas Edições Minerva Coimbra no próximo sábado, às 18H00, no castelo de Montemor-o-Velho. A apresentação estará a cargo da professora doutora Ana Paula Arnaut, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e os respectivos direitos de autor reverterão a favor do Núcleo Regional do Centro da Associação de Paralisia Cerebral.
O livro, com cerca de três centenas de páginas, consiste na compilação de um conjunto de artigos publicados pelo autor na revista “Farpas”, através dos quais procurava, nomeadamente, reflectir sobre as razões que iam contribuindo, em seu entender, para a crise da “festa”. Agora, juntou-lhe as críticas dos visados.
Nascido, há 59 anos, em S. Martinho do Bispo, João Cortesão, após ter estudado no então liceu D. João III e na Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra, concluiria o curso em Santarém, onde simultaneamente prosseguiu a sua carreira de forcado. “A minha vida”, confessa, “estendeu-se também ao râguebi. Fui treinador das classes jovens da Académica e team manager da selecção nacional da categoria que disputou o mundial de 2004, na África do Sul”. Gonçalo Almeida, que ilustra o livro, é, de resto, jogador de râguebi da Académica.
Quando deixou de pegar toiros, João Cortesão, além de se dedicar á descoberta de cavalos de toureio para algumas das primeiras figuras desse tipo de lide, como o francês Luc Jalabert, tornou-se apoderado de vários toureiros portugueses, espanhóis e franceses, como os irmãos Peralta, Fermin Buarque Domec, António Inácio Varga e Gine Cartagena. Formou, ainda, o primeiro quarteto feminino, as “Spice Girls” do toureio.
A escola de Montemor-o-Velho para lançamento da obra deve-se, segundo o autor, ao facto da vila ser “a capital do Baixo Mondego e local com papel decisivo no reforço da aficion na região Centro do país”. Quanto à apresentadora do livro, é também ela uma grande aficionada e autora, inclusivamente, de um livro sobre as relações entre a igreja e as touradas, a partir do século XV.
A cerimónia, que contará com as presenças do presidente da Câmara Municipal, Luís Leal, e da responsável da editora, Isabel Garcia, será antecedida de um recital de música pelo Conservatório de Coimbra e, logo que concluída, terá lugar a lide de uma novilha por um jovem toureiro. A concluir, está prevista uma degustação de sabores da Gândara e do Baixo Mondego, organizada por um grupo de amigos de João Cortesão, acompanhada por fado, cante hondo e guitarra clássica.

domingo, maio 21, 2006

Terça-Feira de Minerva

A próxima sessão das TERÇAS-FEIRAS DE MINERVA conta com a presença de Maria Teresa Pinho que irá falar de Mia Couto e do seu livro "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”

Data: 23 de Maio de 2006
Hora: 21h30
Local: Livraria Minerva, Rua de Macau 52, Bairro Norton de Matos, Coimbra

A Entrevista no Jornalismo Contemporâneo

As Edições MinervaCoimbra e a Escola Superior de Educação de Coimbra, no âmbito do Protocolo celebrado entre as duas instituições, promovem no dia 26 de Maio, pelas 15 horas, no auditório da ESEC, em Coimbra, uma sessão de apresentação do livro "A Entrevista no Jornalismo Contemporâneo", de Orlando Raimundo, jornalista do Expresso.

A apresentação da obra será feita por Álvaro Vieira, docente da ESEC e jornalista do Público.

sábado, maio 20, 2006

Vasco Berardo na Galeria Minerva

Inaugurou hoje na Galeria Minerva uma exposição de pintura de VASCO BERARDO, com aguarela, desenho e óleo.








Vasco Berardo nasceu em Coimbra em 1933. Autodidacta convicto, é difícil extrair do seu longo curriculum elementos que definam a sua obra por ser uma das mais extensas e variadas a nível nacional. Foram seus mestres José Contente, António Vitorino, Manuel Pereira e o arquitecto Fernandes. Fez a sua primeira exposição em 1951 com Os Novos de Coimbra. Colaborou com o C.A.P.C. e foi um dos fundadores do M.A.C..








Realizou até hoje exposições individuais e colectivas em todo o país e no estrangeiro. Destacou-se como medalhista contando hoje com cerca de 500 medalhas na sua vasta obra.
Escultura em bronze e madeira, cerâmica, azulejaria, pintura, tapeçaria, metais e obra gráfica fazem parte do seu mundo, da sua inovação e criatividade. O seu período Neo-Realista deixou uma marca profunda na cidade de Coimbra com o mural do velho Café Mandarim, hoje MacDonald's.







A exposição estará patente até ao próximo dia 21 de Junho de 2006, de segunda a sábado, das 10 às 13 e das 14.30 às 20 horas, na Galeria Minerva, na Rua de Macau 52, no Bairro Norton de Matos, em Coimbra.

sexta-feira, maio 19, 2006

quinta-feira, maio 18, 2006

Eventos MinervaCoimbra

SÁBADO, 20 DE MAIO
18h00
Inauguração da Exposição de Pintura de VASCO BERARDO

Local: Galeria Minerva, Rua de Macau 52, Bairro Norton de Matos, Coimbra


TERÇA-FEIRA, 23 DE MAIO
21h30

TERÇA-FEIRA DE MINERVA com Maria Teresa Pinho que irá falar de Mia Couto e do seu livro "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”

Local: Galeria Minerva, Rua de Macau 52, Bairro Norton de Matos, Coimbra


SEXTA-FEIRA, 26 DE MAIO
15h00

No âmbito do protocolo de colaboração celebrado entre as Edições MinervaCoimbra e a Escola Superior de Educação de Coimbra, lançamento do livro “A ENTREVISTA NO JORNALISMO CONTEMPORÂNEO”, de Orlando Raimundo.

Apresentação pelo Dr. Álvaro Vieira, jornalista do PÚBLICO.

Local: Auditório da ESEC, Praça Heróis do Ultramar, Coimbra


SÁBADO, 27 DE MAIO
18h00

O Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Dr. Luís Leal, as Edições MinervaCoimbra e o Autor, convidam para o lançamento do livro “QUITES, DETALHES E PUYAZOS”, de JOÃO CORTESÃO.

A apresentação será feita pela Prof. Doutora Ana Paula Arnaut, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Local: Castelo de Montemor-o-Velho

Os Direitos do Autor serão doados à Associação de Paralisia Cerebral-Núcleo Regional do Centro.

Programa:
17h30 - Recital de Música pelo Conservatório de Música de Coimbra, Canto e Drama
18h00 - Apresentação do livro
18h30 - Lide de uma novilha por um jovem toureiro
19h00 - Degustação de sabores da Gândara e do Baixo Mondego, com maior incidência no concelho de Montemor-o-Velho, rematando as comemorações com "Detalhes" de fado, cante hondo e Guitarra Clássica

Gastronomicamente serão apresentados à Vossa apreciação:

ENTRETENS: Tremoços, figos secos, azeitonas, línguas de gato, morcela mondeguenha e chouriço de Montemor.

SOPA: Gandareza

PEIXES: Escabeche pobre-frio de sardinha quente e carapau e punheta de bacalhau de Verão

CARNES: Míscaros com presunto, iscas com cebola murcha, arroz pardo de miúdos e vitela no espeto acompanhada de geleia e compotas

SOBREMESAS: Pastéis de Tentúgal e queijadas de Pereira

BEBIDAS: Vinho tinto e branco, abafado, água e bagaço


Em todos os eventos a ENTRADA É LIVRE

quarta-feira, maio 17, 2006

Mudar de Idade, Mudar de Museu

A Livraria Minerva associou-se ao Museu Nacional de Machado de Castro, e promoveu uma sessão das Terças-Feiras de Minerva no âmbito da Semana de Actividades "Mudar de Idade. O Museu Nacional de Machado de Castro e os Jovens (de todas as idades)".

Assim, durante a tarde realizaram-se uma série de palestras sob o tema "Mudar de idade, mudar de museu" a cargo dos vários técnicos do MNMC, e convidados.




A apresentação dos intervenientes e dos temas apresentados foi feita por Isabel de Carvalho Garcia, da Livraria Minerva.



PORQUE FAZEMOS OBRAS NO MUSEU?
Pedro Redol - Director do Museu Nacional de Machado de Castro



MUDAR DE CASA
Catarina Alarcão - Técnica superior de conservação e restauro do MNMC



CATIVAR E COMUNICAR COM JOVENS NO MUSEU. REFLEXOS DE 4 DIAS DE FORMAÇÃO
Madalena Alarcão - Professora Associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra




ESTUDAR A ESCULTURA, TRATANDO-A: A ÚLTIMA CEIA DO REFEITÓRIO DE SANTA CRUZ DE COIMBRA
Ana Alcoforado - Técnica superior do MNMC
Catarina Alarcão - Técnica superior de conservação e restauro do MNMC
João Pocinho - Técnico profissional do MNMC



PINTURAS REVELAM-SE? O RETÁBULO DA NOVA SACRISTIA DA SÉ DE COIMBRA, NO SÉC. XVII
Ana Paula Abrantes - Directora do Museu Grão Vasco (Viseu)
Virgínia Gomes - Assessora do MNMC


O serão foi preenchido com a actuação do Grupo Thíasos, do Instituto de Estudos Clássicos da FLUC, que apresentou a peça "As Suplicantes", de Eurípides, aproveitando o magnífico cenário da loggia do edifício do MNMC.









domingo, maio 14, 2006

Terça-feira de Minerva no Museu Nacional de Machado de Castro


Mudar de Idade
O Museu Nacional de Machado de Castro e os Jovens (de todas as idades)

16 a 20 de Maio de 2006


A Livraria Minerva associa-se ao Museu Nacional de Machado de Castro, integrando a semana comemorativa do Dia Internacional dos Museus que se assinala no próximo dia 18.

Uma despedida de bom augúrio na véspera das grandes obras de remodelação e ampliação a que o Museu vai ser submetido, sugestões oferecidas pela pintura e pelo teatro para uma (provisória) última interacção com os velhos edifícios, exploração do vasto e menos conhecido universo que é o Museu em vias de transformação, reforço dos laços com a comunidade universitária (estudantes, professores, museus), a cidade, as empresas e a comunicação social através do seu envolvimento em actividades concretas e da saída do Museu para fora de portas – eis os principais objectivos desta semana.

Assim, na próxima terça-feira, dia 16, a habitual sessão da TERÇA-FEIRA DE MINERVA realizar-se-á no Museu, com uma tarde de palestras e livros subordinada ao tema “Mudar de idade, mudar de museu”. O programa proposto é o seguinte:

15h30 Pedro Redol – Porque fazemos obra no Museu?

15h50 Catarina Alarcão – Mudar de casa

16h10 Madalena Alarcão e Ana Bertão – Cativar e comunicar com jovens no Museu

Intervalo

16h45 Ana Alcoforado, Catarina Alarcão e João Pocinho
Estudar a escultura, tratando-a: a Última Ceia do refeitório de Santa Cruz de Coimbra

17h30 Virgínia Gomes – Pinturas revelam-se?

Intervalo

18h00 António Pacheco – O azulejo hispano-árabe em Coimbra

Pôr-do-sol/Jantar volante

21h30 “As Suplicantes” de Eurípides, pelo grupo de teatro Thíasos, do Instituto de Estudos Clássicos, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

No local decorrerá uma Feira do Livro de Arte.


RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES:

Mudar de idade, mudar de museu 16 de Maio, 15h30, no MNMC


Porque fazemos obras no Museu? Pedro Redol - Director do Museu Nacional de Machado de Castro
Interrogamo-nos sobre a missão dos museus, em particular a dos museus de arte, a propósito de uma experiência concreta: a ampliação e remodelação, em curso, do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra. O ponto de partida é o papel que um museu desta natureza pode assumir em relação ao conhecimento. O ponto de chegada são as soluções de arquitectura e exposição encontradas pelos projectistas, em interacção com os programadores. Entre o ponto de partida e o de chegada medeiam reflexões sobre modos de apropriação do real e representação, tanto quanto sobre a autenticidade como aspecto indissociável de uma ideia de criação de raiz metafísica.
A requalificação do espaço torna-se na grande prioridade de museus que, como aquele que aqui consideramos, foram acumulando objectos arrancados aos seus contextos funcionais no interior de edifícios antigos, resultantes eles próprios da estratificação de numerosas preexistências. Requalificar o espaço implica experiência relativamente à interacção entre espaço, pessoas e objectos, uma experiência que é exigível tanto aos programadores, por regra o director do museu e os seus colaboradores imediatos, como aos projectistas.


Mudar de casa Catarina Alarcão - Técnica superior de conservação e restauro do MNMC
Em 2005 o Museu encerra ao público com vista à implementação de um projecto de ampliação e requalificação que propiciará aos objectos relações formais mais adequadas com o espaço envolvente.
Foi necessário deslocar as colecções para novas instalações – Igreja S. João de Almedina e Quartel da Sofia –, adoptando soluções e critérios especiais adequados a cada caso específico. Todo o equipamento a construir e o método a desenvolver foram cuidadosa e criteriosamente estudados, tendo em conta a fragilidade e condição física das peças e o seu tamanho e peso.
Foram levadas a cabo intervenções de conservação para melhorar a estabilidade física das obras e assegurar que não sofreriam qualquer tipo de dano durante o transporte. Elaboraram-se fichas individuais de conservação, reunindo informações, quantitativas e qualitativas das colecções, bem como registos fotográficos individuais. Foi possível efectuar uma verificação cuidadosa do ponto de vista da conservação e do inventário e garantir a localização imediata das peças ao longo do tempo de encerramento do Museu.
O processo de desmontagem e mudança constituiu, para todas as pessoas nele implicadas, uma aprendizagem contínua e muito enriquecedora, melhorada dia a dia.


Cativar e comunicar com jovens no Museu. Reflexos de 4 dias de formação Madalena Alarcão - Professora Associada da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra Ana Bertão - Professora Adjunta da Escola Superior de Educação do Porto

A farinha está para os bolos como a comunicação está para as relações: é o elemento de ligação (José Gameiro)

Cativar e comunicar parecem ser palavras mágicas para os educadores museais dado o seu desejo de acolher os jovens no museu e de entusiasmá-los pelas suas colecções.
Numa visita, o tempo corre rápido, para uns, e lento, para outros, e a sedução pode ocorrer como num coup de foudre, pode instalar-se insidiosamente ou pode, mesmo, não chegar a acontecer.
Mas como saber que, nestes encontros, se tocou alguém? E como saber que não se tocou? Olhos brilhantes, sorrisos trocados, perguntas complementares, afirmações explicitadas são sinais habitualmente pontuados como indicadores de interesse e de aceitação da mensagem transmitida. Pelo contrário, silêncios, olhos baixos, conversas colaterais, perguntas que, longe de cruzarem o discurso do educador museal, antes parecem desviá-lo do seu objectivo ou obrigá-lo a percorrer novas vias, são sinais quase sempre entendidos como manifestações de desinteresse.
Mas quem selecciona e interpreta estes sinais? Quem os elege de entre um sem número de sinais que permanecem ocultos ou menos visíveis? Fundamentalmente, é o educador museal, ainda que, mais ou menos conscientemente, ajudado pelas trocas comunicacionais ocorridas entre os jovens e os adultos presentes. A percepção é um processo de construção, tecido no cruzamento dos objectivos e das referências de quem fala e de quem escuta, de quem pergunta e de quem responde.
Saber porque é que ele selecciona e amplifica certos sinais, saber de que forma essa selecção e essa amplificação ajudam à troca comunicacional, é descobrir a quantidade de farinha de que cada bolo precisa para crescer bem. Porque mesmo feito infinitas vezes, o bolo nunca sai exactamente igual de todas as vezes.


Estudar a escultura, tratando-a: a Última Ceia do refeitório de Santa Cruz de Coimbra
Ana Alcoforado - Técnica superior do MNMC Catarina Alarcão - Técnica superior de conservação e restauro do MNMC João Pocinho - Técnico profissional do MNMC

Conservar uma escultura, ou restaurá-la, pressupõe um estudo rigoroso dos testemunhos materiais que o escultor nos deixou na obra. Em 2002 iniciou-se um programa visando a reabilitação do conjunto escultórico e um melhor conhecimento da obra de Hodart.
Persistem ainda mais dúvidas do que certezas. Pretendemos recensear as respostas seguramente comprovadas, bem como elencar as questões que nos acompanharão nos próximos tempos, e sobre as quais esperamos que possa surgir alguma luz.
A observação, atenta e diária, das figuras e das centenas de fragmentos, bem como a estudo documental realizados, permitiram clarificar aspectos da elaboração da obra, desde as matérias primas usadas aos materiais e métodos a que o escultor terá recorrido, bem como a tecnologia de execução e o modo de cozedura.
Começando pela extracção dos sais solúveis, passando pelo desmantelamento das peças e separação das bases antigas e pela limpeza, mecânica e química, recuperou-se a estrutura anatómica das figuras e completaram-se as mesmas, no todo ou em parte, devolvendo a leitura de motivos decorativos e possibilitando a colagem de novos elementos. A concepção de estruturas para a remontagem das figuras permitirá uma maior estabilidade e mobilidade das peças com vista à sua exposição futura.


Pinturas revelam-se? O retábulo da nova sacristia da Sé de Coimbra, no séc. XVII Ana Paula Abrantes - Directora do Museu Grão Vasco (Viseu) Virgínia Gomes - Assessora do MNMC

Tradicionalmente aceite pelos historiadores da arte como uma série de pintura decorativa sobre o arcaz da nova sacristia que, no início do séc. XVII, o Bispo de Coimbra mandou fazer para a Sé, a série de dez tábuas que agora se aborda é para nós ainda um enigma sob vários aspectos.
Porquê um programa iconográfico tão rico num local não visitado pelos crentes? Dever-se-á a que ditames? Pessoais do comitente, litúrgicos, políticos? Porque são cinco das pinturas executadas sobre pranchas dispostas horizontalmente e as das outras cinco na vertical?
Porque é frustre a execução das primeiras cinco tábuas e tão elaborada a das restantes? Terão sido executadas em momentos e para espaços diferentes?
Então, o que permite que acreditemos estar perante um conjunto homogéneo - iconográfica e materialmente -, pensado para um determinado local, instrumento da afirmação pessoal do comitente?
Os documentos até agora divulgados pouco esclarecem.
Estamos perante um conjunto de dez pinturas aparentemente divididas em dois grupos de cinco, encomendadas para um edifício entretanto destruído. Todas estas dúvidas e a datação tradicional do conjunto - c.1607 - relativamente à obra da parceria de Simão Rodrigues e Domingos Vieira Serrão motivaram um estudo atento e abrangente e o seu restauro, num processo que terá o seu auge no final deste ano, com uma exposição monográfica, preparada por uma equipa multidisciplinar.


Mudar de Idade O Museu Nacional de Machado de Castro e os Jovens (de todas as idades)
16 a 20 de Maio de 2006
PROGRAMA COMPLETO


Dia 16, Terça-feira
NO MUSEU

Mudar de idade, mudar de museu

15.30H Pedro Redol – Porque fazemos obra no Museu?
16.00H Catarina Alarcão – Mudar de casa
16.30H Madalena Alarcão e Ana Bertão – Cativar e comunicar com jovens no Museu

Intervalo

17.15H Ana Alcoforado, Catarina Alarcão e João Pocinho
Estudar a escultura, tratando-a: a Última Ceia do refeitório de Santa Cruz de Coimbra
18.30H Virgínia Gomes – Pinturas revelam-se?

Pôr-do-sol/Jantar volante

21.30H As Suplicantes de Eurípides, pelo grupo de teatro Thíasos, do Instituto de Estudos Clássicos, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra


NA ESCOLA SECUNDÁRIA INFANTA D. MARIA

18.00H Assim? Uma Homenagem aos Momty Python, pelo Grupo Juvenil de Teatro da Liga dos Amigos do MNMC

Dia 17, Quarta-feira










18.00H Inauguração da exposição “Os Alqueires bem Medidos”, na Torre de Almedina


Dia 18, Quinta-feira Dia Internacional dos Museus

NO PORTUGAL DOS PEQUENITOS

14.00H O Museu no Portugal dos Pequenitos

NO HOSPITAL PEDIÁTRICO DE COIMBRA

11.00H O colar da Rainha Santa. Aprender a fazer jóias mágicas


NO MUSEU
Jovens investigadores do Museu Nacional de Machado de Castro

15.00H Milton Pacheco – O Paço episcopal de Coimbra – espaços e representação
15.20H Duarte de Freitas – Para além dos objectos... O Museu Machado de Castro e as interacções com o meio (1911-1929)

15.40H Debate com moderação de Catarina Pires

Intervalo

16.30H Eva Armindo – Tecendo a conservação – ciência e arte num tapete oriental
16.50H Sónia Pires – Quem pintou o Políptico de Celas?
17.10H Isabel Matias e Catarina Alarcão–As cores de João de Ruão: estudo dos pigmentos utilizados em duas predelas de calcário policromado
17.30H Debate com moderação de Gilberto Pereira

16.00H Mini-repórteres fotografam o Museu













18.00H Inauguração da exposição de Délia Carvalho, Pepe Garcia, Vasco Carneiro e Eric Irving, “Rostos, formas e sombras”













© Vasco Carneiro

Dia 19, Sexta-feira

NO MUSEU

17.30H Grafitti e património, uma actividade para crianças


Dia 20, Sábado
Noite dos Museus

NO QUARTEL DA SOFIA (ENTRADA PELA RUA DE AVEIRO)

21.00H A tenda está montada
Exploração da tenda-reserva de escultura – jogo de pistas e construção de símbolos heráldicos
23.00H A Fundação da Cidade de Coimbra, pelo grupo de teatro de fantoches do Ateneu de Coimbra
23.30H Acampamento infantil nocturno


Informações: Museu Nacional de Machado de Castro
Tel. 239 482 001
Email:
mnmc@ipmuseus.pt

sábado, maio 06, 2006

Edições MinervaCoimbra promovem debate sobre liberdade de imprensa




Assinalando o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, as Edições Minerva Coimbra promoveram no recinto da Feira do Livro (Praça da República), em conjunto com a Arcádia, uma conversa à volta do tema "Liberdade de Imprensa e Informação em Tempos de Crise”.
A sessão contou com a presença de Isabel Vargues, docente da Licenciatura em Jornalismo da FLUC e directora do Mestrado em Comunicação e Jornalismo, João Figueira, jornalista do Diário de Notícias e docente da Licenciatura em Jornalismo da FLUC, Carolina Ferreira, jornalista do grupo RTP, e Isabel de Carvalho Garcia, das Edições MinervaCoimbra.
Isabel Vargues recordou a história da liberdade de imprensa ao longo do século XIX e XX.
Carolina Ferreira, por seu turno, chamou a atenção dos presentes para o facto de o jornalista, no seu dia-a-dia, estar condicionado à “tirania” da agenda, não sendo livre de escolher, e muitas vezes nem propor, trabalhos.
A este propósito, também João Figueira salientou que a prática associada ao exercício da profissão, coloca em risco a liberdade de imprensa. Os jornalistas, principalmente os da imprensa regional, estão muitas vezes condicionados nos trabalhos que desenvolvem. Para o que também contribui a uniformização dos temas tratados, condicionados pelos centros de poder político e económico.
Ao mesmo tempo, todos denunciaram o desinvestimento nas redacções. A tendência é trabalhar com menos gente, mas mais horas, com uma enorme pressão com vista ao aumento das audiências.
João Figueira salientou ainda o enorme investimento actual ao nível da opinião, principescamente paga por parte das empresas de comunicação social.
Isabel de Carvalho Garcia chamou a atenção para uma questão que todos consideraram fundamental, e que tem a ver com as baixas remunerações dos jornalistas, principalmente os de órgãos de comunicação social regionais.
Além desta sessão em Coimbra, as Edições MinervaCoimbra promoveram, no Porto, em conjunto com a FNAC de Santa Catarina, um debate à volta do livro "A Geração da Ética", de Fernando Martins, recentemente publicado na Colecção Comunicação dirigida por Mário Mesquita. Este debate contou com as participações de Fernando Martins, José Leite Pereira (Director do Jornal de Notícias), Alfredo Maia (Presidente do Sindicato dos Jornalistas) e José Alberto Lemos (Director da RDP-Porto).



Liberdade de expressão, liberdade de imprensa
– notas a propósito do Dia Mundial da liberdade de imprensa (3 de Maio de 2006)


Rememoramos hoje o dia mundial da liberdade de imprensa. Não é demais recordar que esta data é uma criação recente de um organismo nascido no século XX, após a segunda guerra mundial, a UNESCO, organização que tem entre os seus primeiros desígnios a promoção da liberdade de expressão, de imprensa, a independência e o pluralismo dos media, a democracia, a paz e a tolerância.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem proclamou no seu art.º 19 o direito de todos os indivíduos à liberdade de opinião e de expressão.
A liberdade de expressão torna-se uma das pedras angulares das sociedades democráticas contemporâneas na sua luta constante pelo desenvolvimento e pela paz.
A liberdade de imprensa é essencial para a estabilidade política e social nos governos democráticos que exigem comportamentos responsáveis com uma informação independente e plural.
Em Portugal também se celebra hoje a liberdade de imprensa. Mas nem sempre foi assim. Nem sempre se pode falar em liberdade. A existência da censura no nosso país foi um verdadeiro espartilho à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa.
Importa recordar que a primeira lei de Liberdade de imprensa em Portugal tem a marca liberal (1821) e depois todo o século XIX conheceu momentos de grande explosão da imprensa e outros de retracção com a acção da censura. Recorde-se o momento de apresentação e promulgação do diploma sobre a liberdade de imprensa conhecido como a Lei das rolhas, em 1850,com Costa Cabral que provocou um manifesto assinado por 50 personalidades entre as quais se salientaram os nomes de Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Latino Coelho e Lopes de Mendonça e, em 1907, com o governo de João Franco, o novo diploma sobre a liberdade de imprensa conhecido como a 2ª Lei das rolhas. Na I República, em Ditadura Militar e no Estado Novo vemos como a história da liberdade de imprensa e da censura prévia marcou e formatou muitas gerações. Afinal estes momentos também foram de crise.
Depois da revolução de Abril de 1974 a liberdade de imprensa em democracia é uma realidade. Além do diploma é fundamental recordar aqui o próprio texto constitucional e as suas revisões: a Constituição da República nos seus art. 37,38,39,40 definem as liberdades de expressão e informação, de imprensa, dos meios de comunicação social.
Nos países livres e democráticos a liberdade de imprensa deve ser defendida e permanecer em construção diária pois ela é um requisito para a própria regulação da democracia. E em tempos de crise e de conflito como os actuais os medias e os jornalistas como profissionais de uma imprensa independente têm uma difícil missão a cumprir. Reconheceu-se hoje,3 de Maio de 2006, no jornal Le Monde que a liberdade de imprensa se deteriora no mundo e na Europa pois um terço da população mundial não tem imprensa livre à sua disposição e acentuou-se um facto: o Próximo Oriente é a zona mais perigosa para o exercício da profissão de jornalista.
Em 1993 foi celebrado o primeiro dia, constituindo depois a UNESCO um grupo consultivo sobre a liberdade de imprensa e, em 1997, o prémio anual Guillemo Cano, imortalizando o jornalista colombiano assassinado em 1987. Em 2006 o prémio distinguiu a jornalista libanesa May Chidiac também ela uma jornalista de televisão de grande prestígio vítima de um atentado que a mutilou.
O desenvolvimento, a paz e a democracia no mundo e em Portugal precisam de uma informação independente e plural e é isso o que nos motivou hoje aqui relembrar no dia mundial da liberdade de imprensa.

Isabel Vargues

sexta-feira, maio 05, 2006

Para compreender o jornalismo

Para quem não pode estar presente, aqui ficam dois momentos do lançamento do livro "Para compreender o jornalismo", de Estrela Serrano:




quinta-feira, maio 04, 2006

Sessões de Autógrafos na Feira do Livro

A MinervaCoimbra promove este fim de semana – sexta-feira, sábado e domingo – várias sessões de autógrafos.

Assim, amanhã, sexta-feira, dia 5 de Maio, pelas 15h30, estarão presentes na Feira do Livro os autores Júlio Correia e Sousa Dinis, autores dos livros “Estórias do Meu Beco” e “Tempos de Mim”, e “Xeque ao Rei Capelo”, respectivamente.

No sábado, dia 6, pelas 17 horas, será a vez de Manuela Sinde Filipe e Edgar Panão, autores dos livros “Estórias que fazem a história de uma farmácia” e “Covseiro de Myranda”.

Finalmente, no domingo, dia 7 de Maio, pelas 18 horas, Dia da Mãe, um dia particularmente simbólico, a Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, numa acção conjunta com a Livraria Minerva e a Arcádia – Associação para a Organização da Feira do Livro de Coimbra, promovem uma sessão de autógrafos com a Prof. Doutora Maria José Azevedo Santos, à volta do livro de sua autoria “O valor da escrita em tempos de Inês de Castro” (ed. CMMV), com prefácio do professor catedrático de Santiago de Compostela, Manuel Diáz y Diáz (Doutor Honoris Causa por Coimbra) e fotografias de Alexandre Ramires.
Maria José Azevedo Santos evocará Inês de Castro, também ela mulher e mãe.

quarta-feira, maio 03, 2006

"Provedores melhoram relação com os públicos"

Os jornalistas "ou não conhecem os seus públicos ou ignoram-nos", escreve Estrela Serrano nas notas finais do livro que reúne uma selecção das crónicas que publicou enquanto Provedora dos Leitores do DN de 2001 a 2004. Uma realidade que nos últimos dois anos não mudou.

"Talvez ao nível de audiovisual os jornalistas conheçam melhor o share, o número de pessoas que estão disponíveis para comprar, para ouvir, para ver as audiências. Mas os públicos, na acepção de saber o que pensam, o que desejam, o que precisam, isso acho que não. O jornalismo tornou-se muito comercial, mas não sei se pode ser de outra maneira. Mas há algo a fazer", disse Estrela Serrano ao DN.

Referindo-se a José Nuno Martins e Paquete de Oliveira, provedores do ouvinte e do telespectador da Rádio e Televisão de Portugal, a autora de Para Compreender o Jornalismo considerou que os (novos) provedores "vão melhorar muito a relação das televisões com os públicos, vão complementar a crítica dos profissionais da crítica, que é muitas vezes radical, vão mostrar e vão explicar que a televisão, os media, são muito feitos de contextos."

Nas palavras que dirigiu à plateia atenta e que marcou presença na livraria Bulhosa, Estrela Serrano apontara: "a sua tarefa vai ser ainda mais difícil do que foi a minha".

Período difícil nos media

O livro de Estrela Serrano foi apresentado por Mário Bettencourt Resendes, antigo director do DN e que, em 1997, criou a figura do provedor do leitor, numa iniciativa inédita em Portugal. A docente universitária e membro do conselho regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) foi a terceira Ombudsman do jornal, sucedendo no cargo a Mário Mesquita e Diogo Pires Aurélio.

Resendes considerou que o mandato de Estrela Serrano coincidiu com "um dos períodos mais difíceis na imprensa portuguesa e nos media em geral", marcado pelos ataques do 11 de Setembro, a Guerra do Golfo e o caso Casa Pia. Esta conjuntura "enriqueceu a matéria que a Provedora analisou", referiu.

O livro Para Compreender o Jornalismo cristaliza agora algumas das questões que marcaram esse período, ultrapassando o "carácter efémero" de uma coluna de jornal. A autora quer fixar de uma maneira mais duradoura, "uma reflexão sobre o jornalismo e os jornalistas".

A sugestão do nome da ex-provedora do DN partiu de José António Santos, à época director-adjunto do jornal. "Uma mulher como provedora tinha um carácter inovador e além disso Estrela Serrano tinha um perfil que se ajustava à função", assumiu Resendes.

Já sobre o seu desempenho, o ex-director do DN foi mais crítico: "nas direcções dos jornais deveria haver um limite" de dez anos. Mário Bettencourt Resendes foi, durante 12 anos, director do jornal e assumiu que nos últimos dois as "reservas anímicas" estavam em baixo. "Estas coisas cansam", admitiu.

Resendes assumiu ainda os "sentimentos mistos" que um director tem em relação à figura do provedor: "há uma lógica conflitual, latente, genética mas alguma coisa está mal se a redacção e o provedor forem um caso de lua-de-mel..."

Estrela Serrano não esconde a "satisfação" que o cargo lhe deu. "Dormia e acordava a pensar no que ia escrever", disse a ex-provedora que não se quis limitar a ser reactiva. Até porque - enfatizou Bettencourt Resendes - "muitas vezes o universo de leitores que questionam o provedor é restrito."

No entanto, a ex-provedora diz que os leitores a desafiavam para escrever sobre imensas coisas - o que "achava estimulante".

Mário Mesquita, também director da Colecção Comunicação da Minerva (a que se junta agora o novo título de Estrela Serrano), destacou a "institucionalização" da figura do provedor - apontando o exemplo recente da dupla Nuno Martins/Paquete de Oliveira.

A experiência como provedora dos leitores do Diário de Notícias foi um "treino excelente" para Estrela Serrano, membro da ERC, que concluiu a sua intervenção referindo que esse ponto da sua carreira foi "de alguma forma premonitório" em relação ao lugar onde está hoje.

"O provedor tem que medir muito bem aquilo que escreve", disse na apresentação do livro Para Compreender o Jornalismo. Ao DN Estrela Serrano clarificou esta ideia: "eu tinha a noção que os jornalistas olhavam à lupa para aquelas palavras. Uma palavra menos pensada ia dar origem a uma grande polémica", assumiu.

Marina Almeida, hoje no DIÁRIO DE NOTÍCIAS

terça-feira, maio 02, 2006

A experência de uma provedora: Livro Para Compreender o Jornalismo apresentado hoje

Estrela Serrano relata os tempos em que foi provedora do leitor do Diário de Notícias

Quando a convidaram para ser provedora do leitor do Diário de Notícias, Estrela Serrano teve dúvidas se estariam a convidar a pessoa certa. "Tinha sido assessora do doutor Mário Soares e nunca mais voltei às redacções", confessa a ex-jornalista e actual professora de jornalismo e membro da Entidade Reguladora da Comunicação (ERC). Mas a sua consciência e o apoio de colegas levaram a que aceitasse o desafio que hoje descreve, em cerca de 200 páginas, no livro Para Compreender o Jornalismo - o Diário de Notícias visto pela provedora dos leitores. A experiência, confessa, acabou por se tornar uma das mais enriquecedoras da sua carreira.
Não foram tempos fáceis, afirma Estrela Serrano sobre o período entre 2001 e 2004, que se viveu no Diário de Notícias enquanto foi provedora dos leitores: "Apanhei uma fase difícil. É um jornal com um peso institucional muito grande, para o bem e para o mal." O jornal sofreu alterações gráficas e alterações na sua equipa directiva. Surgiu entretanto o processo Casa Pia. E depois a guerra no Iraque. A ebulição marcada pelos acontecimentos acabou por também se sentir na redacção. "Havia ali contradições internas tão grandes que até eu me interrogava onde estava a linha editorial. Uma vez uma jornalista acabou por me dizer que os próprios jornalistas também precisavam de um provedor."
A actual membro da recentemente criada Entidade Reguladora da Comunicação confessa que a experiência enquanto provedora do leitor do Diário de Notícias lhe trouxe largos benefícios para sua actual função: "Recordo tudo com grande entusiasmo e até foi uma experiência premonitória da minha nomeação para a ERC. Deu-me uma visão mais alargada, sobretudo em relação à natureza ética e deontológica do jornalismo. Há quem acredite que o provedor não é mais do que um relações públicas. Eu acredito muito na força da auto-regulação. A condenação moral, que resulta de uma crítica feita nas páginas do jornal, é a mais eficaz", afirma, acrescentando que encara aquele momento da sua carreira como muito enriquecedor: "Foi das coisas mais interessantes que fiz."
Do processo casa Pia, Estrela Serrano recorda no seu livro o episódio do juiz super-homem, lembrando quando, como provedora do leitor, se insurgiu contra a publicação de uma primeira página com o juiz Rui Teixeira vestido de super-homem, acompanhado do título "O super-juiz". "O título super-juiz dificilmente se adequa a um jornal de referência que o DN se reclama", afirma sobre este episódio, onde equipara a solução defendida para a primeira página com as seguidas pelos tablóides e jornais populares. Para Estrela Serrano, apesar dos jornalistas terem tido o mérito de denunciar o que se passava na Casa Pia, isso acabou por depressa se tornar, em seu entender, um "caso negro do jornalismo português".
Mais à frente, passa da crítica ao jornalismo para a crítica aos responsáveis políticos, aludindo ao episódio da publicação na revista Time de um artigo sobre o turismo sexual em Bragança, que levou a que o Governo português mandasse retirar das páginas da prestigiada revista norte-americana a publicidade ao Euro 2004. A então provedora classifica essa decisão do Governo como um acto de censura, apesar de a Time ter uma dimensão económica que a imuniza contra estas investidas. "Nas sociedades de poder económico reduzido, em que a publicidade escasseia, as decisões editoriais estão cada vez menos protegidas face a preocupações comerciais. Parece não ser esse o caso da revista Time mas pode ser o de alguns media em Portugal."
Estrela Serrano reconhece que o facto de ter sido até hoje a única mulher provedora do leitor em Portugal lhe pode ter dado alguns benefícios: "Não sei se se pode falar sobre um olhar feminino sobre as coisas. Mas há certos aspectos que escapam aos homens, nomeadamente em relação a questões que envolvem públicos sensíveis", lembra, recordando uma fotografia de primeira página em que se via uma senhora de fralda a ser evacuada de um lar de terceira idade onde tinha ocorrido um incêndio: "Aquilo para mim até foi doloroso."

Ana Machado, no PÚBLICO de hoje

Título: Para Compreender o Jornalismo
Autora: Estrela Serrano
Editora: Minerva Coimbra - Colecção Comunicação
Preço: 18 euros
216 páginas



"Provedores da TV e rádio têm um desafio complicado"
Provedora do leitor entre 2001 e 2004, Estrela Serrano mostra-se "esperançada" em relação ao futuro trabalho dos recentemente empossados provedores da televisão e rádio públicas, respectivamente, José Manuel Paquete de Oliveira e José Nuno Martins. "Na televisão, acho que a evolução será, no futuro, para dois provedores - um de programas e outro de informação. Mas serão os primeiros a fazer o caminho, terá de haver muita doutrina. Têm um desafio muito complicado", considera, sobre o papel dos primeiros provedores de TV e rádio em Portugal. Para Estrela Serrano, o mais difícil será criar um programa para o provedor, quer na TV, quer na rádio, que seja apelativo para os ouvintes ou telespectadores: "O mais difícil será criar um espaço interessante, que chame as pessoas. Creio que a Fernanda Mestrinho saberá fazer isso", diz sobre a jornalista da RTP escolhida para esta tarefa. "Terá de se encontrar uma solução estética. Se for um programa de sucesso, as privadas vão atrás", comenta, em relação à possibilidade de esta função do provedor do leitor se alargar à SIC e TVI. Esta última até já teve um provedor no seu início, que foi António Sousa Franco.

domingo, abril 30, 2006

3 DE MAIO: DIA MUNDIAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA

PARA ASSINALAR O DIA MUNDIAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA, AS EDIÇÕES MINERVACOIMBRA e a ARCÁDIA-Associação para a Organização da Feira do Livro de Coimbra,promovem em Coimbra no próximo dia 3 de Maio, pelas 17h30, no recinto da Feira do Livro (Praça da República), uma conversa à volta do tema "LIBERDADE DE IMPRENSA E A INFORMAÇÃO EM TEMPOS DE CRISE".

A sessão conta com a presença de ISABEL VARGUES (Professora da Faculdade de Letras, docente da Licenciatura em Jornalismo e Directora do Mestrado em Comunicação e Jornalismo), JOÃO FIGUEIRA (Jornalista do Diário de Notícias e docente da Licenciatura em Jornalismo da Faculdade de Letras da UC), CAROLINA FERREIRA (Jornalista do grupo RTP) e ISABEL DE CARVALHO GARCIA (Ed. MinervaCoimbra).


No Porto, em conjunto com a FNAC de Santa Catarina, as Edições MinervaCoimbra promovem, pelas 18h00, um debate à volta do livro "A GERAÇÃO DA ÉTICA", de Fernando Martins, recentemente publicado na Colecção Comunicação dirigida por Mário Mesquita.

"O PAPEL DOS PROVEDORES E DOS CONSELHOS DE REDACÇÃO COMO GARANTE DA LIBERDADE DE IMPRENSA" será o tema a debater e os intervenientes são: FERNANDO MARTINS (primeiro provedor do JN), JOSÉ LEITE PEREIRA (Director do Jornal de Notícias), ALFREDO MAIA (Presidente do Sindicato dos Jornalistas) e JOSÉ ALBERTO LEMOS (Director da RDP-Porto).

sábado, abril 29, 2006