sábado, setembro 29, 2012

ROGÉRIO PAULO MADEIRA e «FICÇÃO E HISTÓRIA - A FIGURA DE URIEL DA COSTA NA OBRA DE KARL GUTZKOW»

 Rogério Paulo Madeira
Decorreu na Sala dos Conselhos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra a apresentação do mais recente livro de Rogério Paulo Madeira
(Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e actual Coordenador do Centro de Investigação em Estudos Germanísticos).
Este livro, intitulado  "FICÇÃO E HISTÓRIA - A Figura de Uriel da Costa na Obra de Karl Gutzkow", resulta da tese de doutoramento do autor e é o primeiro estudo abrangente sobre a figura de Uriel da Costa (de origem portuguesa) na literatura alemã.  

Teresa Tavares, Rogério Paulo Madeira e Fernanda Mota Alves
A sessão contou com as intervenções de Teresa Tavares,  vice-directora da FLUC, de  Fernanda Mota Alves (Docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), que apresentou a obra, e do Autor.

Estiveram ainda presentes, entre docentes, colegas, familiares e amigos do autor, Maria Manuela Gouveia Delille (Directora da Colecção e orientadora da tese), Manuela Nunes (co-orientadora e docente da Universidade de Augsburgo) e Isabel de Carvalho Garcia (MinervaCoimbra).

Isabel Garcia, Fátima Gil, Manuela Delille, Karl Heinz Delille

Fernanda Mota Alves, Manuela Nunes, Rogério Paulo Madeira, Isabel de Carvalho Garcia e Maria Manuela Delille



Isabel Garcia (co-editora) e Rogério Paulo Madeira

O Autor
ROGÉRIO PAULO MADEIRA 
Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e actual Coordenador do Centro de Investigação em Estudos Germanísticos, licenciou-se em Línguas 
e Literaturas Modernas (Estudos Ingleses e Alemães) pela Universidade de Coimbra em 1990. Obteve o grau de Mestre em Literatura Alemã e Comparada 
pela mesma Universidade, em 1998, com um estudo publicado nesta colecção sob o título O Imaginário de Lisboa em Romances de Thomas Mann e de Hanns-Josef Ortheil (2002). 
Em 2009 doutorou-se em Literatura Alemã na Universidade de Coimbra, com a dissertação que se publica no presente volume.

O livro
O presente estudo, de dimensão interdisciplinar, incide sobre o tratamento  ficcional dado à figura histórica
de Uriel  da Costa na novela Der Sadducäer von Amsterdam (1834) e na tragédia Uriel Acosta
(1846) de Karl Gutzkow. Após uma exposição teórica acerca da representação da História na obra de arte literária,
o trabalho aborda a (re)construção historiográfica e literária da biografia do referido livre-pensador
judeo-português, identificando e caracterizando as fontes de Gutzkow. Seguidamente, sem descurar a concepção político-
-literária e o modelo de ficção histórica perfilhados pelo autor da Jovem Alemanha e do Vormärz, centra-se na análise
aprofundada do corpus no que diz respeito à representação literária do histórico conflito que opôs o luso-judeu à ortodoxia
judaica de Amesterdão. Além das semelhanças, são relevadas as diferenças na selecção e configuração literária das matérias
históricas na novela e na tragédia, devidas não apenas à especificidade genológica, mas também ao maior
empenhamento político-ideológico evidenciado por Gutzkow nos anos 40 do século XIX.
Este livro é o nº 18 da Colecção Minerva/CIEG dirigida por Maria Manuela Gouveia Delille.
Uma edição da MinervaCoimbra e do Centro de Investigação em Estudos Germanísticos.

A figura de estudo:
Uriel da Costa (1583/84-1640)
Gabriel, aliás, Uriel da Costa (1583/84-1640) foi um livre-pensador de origem portuense, cuja contestação das ortodoxias cristã e judaica contribuiu de modo significativo para a libertação da consciência humana, através da afirmação de ideias racionalistas, expressas na obra Exame das Tradições Farisaicas (1624), e que terão influenciado o pensamento de Bento Espinosa. O luso-judeu, depois de ter escapado à Inquisição em Portugal, exilou-se em Hamburgo e em Amesterdão, onde manteve um prolongado conflito com a comunidade judaica, marcado por profundas divergências filosófico-religiosas. A preservação do nome de Uriel da Costa na memória colectiva deve-se, sobretudo, ao facto de ter escrito, em latim, a autobiografia Exemplar Humanae Vitae. O relato autobiográfico destaca, além das três excomunhões que atingiram o marrano portuense, a humilhante cerimónia pública de retractação e penitência de que foi alvo na sinagoga Talmude Tora de Amesterdão, a qual, em vez de proporcionar ao penitente a reintegração na comunidade sefardita, acaba por conduzi-lo ao suicídio, em Abril de 1640.


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