terça-feira, agosto 22, 2006

Revista Media & Jornalismo: “Imagens da Diferença”

As Edições MinervaCoimbra acabam de lançar o número 8
da revista
Media & Jornalismo
do Centro de Investigação Media e Jornalismo.


O presente número da revista Media & Jornalismo é um número temático, inteiramente dedicado à representação das minorias étnicas nos media de países da União Europeia (Portugal e Espanha) e América Latina (Brasil), coordenado por Isabel Ferin, professora e investigadora da Universidade de Coimbra.

No artigo de abertura, tendo como enquadramento teórico as Teorias das Migrações e da Recepção, Ferin analisa os cruzamentos entre trajectórias de vida, imaginários, consumos e usos dos media das imigrantes brasileiras. Aplicando metodologias qualitativas, entrevistas em profundidade realizadas a dez mulheres imigradas na Região Centro, o artigo analisa o papel dos media, principalmente da televisão, nos processos de integração e reconstrução de imaginários.

O artigo seguinte, da investigadora brasileira Denise Cogo, trabalha dados empíricos de duas pesquisas sobre as interacções comunicacionais e mediáticas de imigrantes latino-americanos. A primeira dessas pesquisas, de âmbito internacional, procede a um estudo comparativo de interacções nos contextos das cidades de Barcelona (Espanha/União Europeia) e Porto Alegre (Brasil/Mercosul). A segunda pesquisa, de âmbito local e regional, analisa as interacções comunicacionais e mediáticas de imigrantes latino-americanos em Porto Alegre.

Catarina Valdigem, mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Católica Portuguesa e bolseira do projecto “TV e Imagens da Diferença”, aborda os processos de construção das identidades etno-culturais de mulheres imigrantes brasileiras, associados aos usos dos media, a partir da análise e observação etnográfica de um salão de beleza situado num bairro da Moita, em Portugal. Através de uma abordagem empírica e qualitativa o artigo analisa a produção de sentidos identitários, no contexto específico da sociedade portuguesa.

Nicolás Lorite García, professor e investigador da Universidade Autónoma de Barcelona, explora metodologias qualitativas na investigação audiovisual aplicada, numa tentativa de aproximação de conceitos, modelos e teorias à realidade social. A sua investigação tem como objecto as imagens veiculadas pelas estações nacionais espanholas e da Catalunha, sobre a imigração em Espanha. A análise que realiza procura identificar padrões de comportamento na construção dessas imagens visuais e tem como objectivo contribuir para uma melhor cobertura televisiva desta temática. Trata-se, segundo o autor, de um modelo de “investigação-acção” que pretende realizar uma “aproximação progressiva à utópica objectividade informativa”.

O artigo de Willy S. Filho, aluno de mestrado do Instituto de Estudos Jornalísticos da Universidade de Coimbra e bolseiro do projecto “TV e Imagens da Diferença”, debruça-se sobre a construção da imagem da mulher brasileira no Jornal Nacional da TVI, em Portugal, entre 2003 e 2004, procurando identificar tendências e critérios de noticiabilidade do chamado jornalismo «tablóide». Trata-se de uma análise de tipo qualitativo que contempla as imagens visuais, a banda sonora e o texto escrito usados pela TVI na representação da mulher brasileira.

A terminar o conjunto de artigos dedicados à problemática da cobertura mediática da “diferença”, Alberto Efendy de la Torre, professor/pesquisador do programa de pós-graduação em Ciências da Comunicação, UNISINOS – Brasil, aborda os processos comunicacionais num contexto de globalização, centrando a análise na inter-relação estratégica entre a União Europeia, mais concretamente nas migrações na Espanha em 2005.

O artigo de Nicolás Lorite Garcia, escrito em espanhol, não foi traduzido. A publicação na língua original pretende abrir um espaço de diálogo e divulgação da M&J junto dos leitores de língua espanhola. Os artigos dos investigadores brasileiros mantêm a grafia e a estrutura linguística original.

Recensões de obras recentes sobre os media e o jornalismo encerram o número oito da revista.



MEDIA & JORNALISMO
Centro de Investigação Media e Jornalismo
ISSN: 1645-5681


N.º 1 . Ano 1 . 2002
[Índice] O Jornalismo é uma forma de conhecimento? – EDUARDO MEDITSCH . O poder como linguagem. A mediação política entre funcionalidade sistémica e moral comunicacional – JOÃO PISSARRA ESTEVES . Uma comunidade interpretativa transnacional: a tribo jornalística – NELSON TRAQUINA . O nascimento de Adam Nash. Análise comparada de uma notícia de genética em seis jornais de informação geral – CRISTINA PONTE . Presidenciais 2001: temas e vozes na cobertura jornalística da campanha eleitoral – ESTRELA SERRANO . Percursos. Daniel Dayan – Entrevista de JOSÉ CARLOS ABRANTES . Mesa Redonda: A mediatização dos fogos florestais


N.º 2 . Ano 2 . 2003
[Índice] Democracia e Direitos Humanos no século XXI – MÁRIO SOARES . Tendências do jornalismo contemporâneo. Estarão as notícias leves e o jornalismo crítico a enfraquecer a democracia? – THOMAS E. PATTERSON . Os administradores de ilusões: espectáculo, subjectividade e ideologia na cultura mediática contemporânea – JOÃO CARLOS CORREIA . Imagens da imigração em Portugal – ISABEL FERIN CUNHA . O espaço Opinião na imprensa de referência portuguesa: 1980-1999 – RITA FIGUEIRAS . Qualidade percebida de quatro jornais on-line brasileiros – JORGE PEDRO DE SOUSA . Percursos: Dominique Wolton – Entrevista de JOSÉ CARLOS ABRANTES


N.º 3 . Ano 2 . 2003
JORNALISMO EM TEMPO DE GUERRA
[Índice] A Guerra de propaganda de Salazar: os correspondentes portugueses e a Guerra Civil de Espanha (1936-1939) – ALBERTO PENA RODRIGUEZ . Em directo da guerra: o impacto da Guerra do Golfo no discurso jornalístico – JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS (testemunho) . O jornalismo como invenção anglo-americana: comparação entre o desenvolvimento do jornalismo francês e anglo-americano, 1830-1920 – JEAN CHALABY . Rádio Clube Português: da escassez de frequências à grande importância no meio radiofónico nacional (1931-1936) – ROGÉRIO SANTOS . Ensino do jornalismo e profissionalização dos jornalistas – ROSA MARIA SOBREIRA . O crime nos media. Impacto e valor simbólico das histórias transgressivas – CRISTINA PENEDO . Os outros do jornalismo – CARLA BAPTISTA . Media e libertação de identidades na cultura contemporânea – GIL FERREIRA


N.º 4 . Ano 3 . 2004
MEDIA E DESPORTO
[Índice] Pontos e questões chave do complexo desporto-media globais – JOSEPH MAGUIRE . “Vestir a camisola” – jornalismo desportivo e a selecção nacional de futebol – JOÃO NUNO COELHO . Cimeira Europeia ou European Summit? Perspectivas nacionais face à União Europeia na cobertura da SIC Notícias e da Sky News – MIGUEL GASPAR . A Cimeira de Copenhaga e os comentários dos leitores às notícias da TSF online – MARISA TORRES DA SILVA . A dimensão afectiva das imagens violentas nos media contemporâneos – NOEL NOEL . Thomas Patterson – Entrevista de ALEX JONES sobre O Eleitor Ausente (The Vanishing Voter)


N.º 5 . Ano 3 . 2004
AS MULHERES E OS MEDIA
[Índice] Representadas e representantes: as mulheres e os media – MARIA JOÃO SILVEIRINHA . Cartazes de mulheres. Publicidade, controvérsia e disputa do feminismo nos anos 90 – JANICE WINSHIP . Da telenovela à prostituição – ISABEL FERIN . A Sida como notícia: análise de caso sobre a cobertura jornalística da problemática VIH/SIDA nos jornais Diário de Notícias e Correio da Manhã – NELSON TRAQUINA . A fabricação televisiva dos Monstros do Mediterrâneo – DANIEL DAYAN . Consumos, cosmopolitismo, cultura quotidiana no olhar de Mica Nava – Entrevista com Mica Nava por CLÁUDIA ÁLVARES


N.º 6 . Ano 4 . 2005
INVESTIGAÇÃO E GLOBALIZAÇÃO
[Índice] Pertti Alasuutari: O conceito clássico de media está a tornar-se obsoleto – Entrevista de ANABELA DE SOUSA LOPES e CLÁUDIA BAPTISTA . A Globalização da pesquisa qualitativa – PERTTI ALASUUTARI . Movimentos sociais e a construção do discurso mediático sobre a infância no Brasil – LÍDIA MARÔPO . O Euro e a construção europeia: representações na imprensa portuguesa – MARIA JOÃO SILVEIRINHA . Jornalismo português em finais do século XIX. Da identificação partidária à liberdade de reportar – ROGÉRIO SANTOS . A telenovela e o público: uma relação escondida – CATARINA BURNAY . Padrões jornalísticos na cobertura de eleições – ESTRELA SERRANO


N.º 7 . Ano 4 . 2005
COMUNICAÇÃO POLÍTICA
[Índice] Evitar a palavra tortura. Os media norte-americanos e o enquadramento político de Abu Ghraib – LANCE BENNETT, REGINA G. LAWRENCE e STEVEN LIVINGSTON . “Quem tem medo do infotainment?” – KEES BRANTS . A campanha eleitoral de 2001 na televisão, revisitada: análise comparada do serviço público e dos canais privados – ESTRELA SERRANO . A comunicação do poder ou o poder da comunicação – SUSANA SALGADO . A construção da imagem pública e a disputa de sentidos na mídia: Lula em dois momentos – LUÍSA LIMA e ROUSILEY MAIA . A informação na televisão: dominar imaginariamente o mundo e convencer simbolicamente do seu poder – SERGE TISSERON


N.º 8 . Ano 5 . 2006
IMAGENS DA DIFERENÇA
[Índice] Media e imaginários: estratégias de apropriação de conteúdos pelas brasileiras em Portugal – ISABEL FERIN . As interações comunicacionais e midiáticas das migrações contemporâneas no Mercosul: reflexões teórico-metodológicas desde o contexto de Porto Alegre – DENISE COGO . Usos dos media e identidade: brasileiras num Salão de Beleza – CATARINA VALDIGEM . La mirada multipolar de la inmigración desde la perspectiva de la investigación audiovisual aplicada – NICOLÁS LORITE GARCÍA . Técnicas de construção no jornalismo televisivo português: a mulher brasileira – WILLY S. FILHO . A midiatização das migrações contemporâneas na Espanha: interculturalidade, produção e recepção – ALBERTO EFENDY

segunda-feira, agosto 21, 2006

Poesia Minerva

MESETA SUL de Fernando Miguel Bernardes

Entre o cinza
e o castanho
o teu olhar
onde me banho

Mergulho e louco
alvoroçado
interior
desintegrado

É um sol quente
é ouro ao rubro
vulcão aceso
o que descubro




EPITÁFIOS A UMA INSENSATEZ INACABADA de Miguel Barbosa

o poeta não aceita
o verdete encastrado das datas
que o limita e enegrecem a alma
esgadanham a invisibilidade do tempo
e os corpos das coisas
esmagadas e difusas
entre os falsos muros da moralidade





RECICLADOS de Maria José Lopes

Destino

Sei
Que o meu destino
Não tem
Seixos,
Nem areias,
Nem mediocridade.

Tem a leveza
Das penas,
Sem penas
E sem saudade.



são os últimos lançamentos das Edições MinervaCoimbra na Colecção Poesia Minerva dirigida José Ribeira Ferreira


Colecção Poesia Minerva

1. FICTA IMAGEM
José Ribeiro Ferreira
Desenhos de António Lança
ISBN: 972-9316-35-X . 1992 . 66 páginas . 8,00 euros


2. QUASI ENCONTRO
Duarte Ferreira de Faria
Desenhos de António Lança
ISBN: 972-9316-43-0 . 1992 . 102 páginas . 8,00 euros


3. METADE SILÊNCIO
Cristina de Mello
Desenhos de Jorge Ulisses
Esgotado


4. PACTO
Zulmira Bento
Desenhos de Pedro Madeira
ISBN: 972-9316-51-1 . 1993 . 94 páginas . 8,00 euros


5. OS SINAIS DA TERRA
Vergílio Alberto Vieira
Desenhos de Manuel Oliveira
ISBN: 972-9316-50-3 . 1993 . 66 páginas . 5,50 euros


6. CRINAS LEVES
Rui Dias
Desenhos de António Lança
ISBN: 972-9316-60-0 . 1993 . 94 páginas . 8,00 euros


7. ACTAS DA DESORDEM DO DIA
José Jorge Letria
Desenhos de André Letria
ISBN: 972-9316-61-9 . 1993 . 94 páginas . 6,00 euros

8. PAISAGEM SEM NOITE
José António Franco
Desenhos de Ardini
ISBN: 972-9316-62-7 . 1993 . 60 páginas . 6,00 euros


9. A TRANSPARÊNCIA DO SEU NOME
José António Gomes
Desenhos de Manuela Bacelar
ISBN: 972-9316-64-3 . 1994 . 36 páginas . 5,50 euros


10. TELHAS DE OUTRO ALPENDRE
José Ribeiro Ferreira
Desenhos de Jorge Ulisses
ISBN: 972-9316-65-1 . 1994 . 68 páginas . 6,00 euros


11. SOBRE-RIPAS . SOBRE-RIMAS
Vasco Pereira da Costa
Fotos de Vital Moreira
ISBN: 972-9316-70-8 . 1994 . 56 páginas . 6,00 euros


12. PORTAGENS NO VENTO
Mouro Serpa
Xilogravuras de Monsenhor Nunes Pereira
ISBN: 972-9316-80-5 . 1994 . 78 páginas . 7,00 euros


13. BARCA D’ALVA
António Manuel Ferreira
Fotos de João Rocha
ISBN: 972-9316-75-9 . 1995 . 76 páginas . 7,00 euros


14. VAGAS, ARTIFÍCIOS
Luís de Miranda Rocha
Desenhos de Jorge Ulisses
ISBN: 972-8316-89-9 . 1995 . 58 páginas . 6,50 euros


15. SILÊNCIO E OUTROS TEMAS
Manuel Dias da Silva
Desenhos do Autor
ISBN: 972-8316-75-9 . 1995 . 66 páginas . 7,00 euros


16. DEAMBULAÇÕES & VIAGENS,
Américo Teixeira Moreira
Prémio Poesia Fernando Namora/95
ISBN: 972-8316-97-X . 1995 . 80 páginas . 7,00 euros


17. UM NOVO AMANHECER
Julião Soares Sousa
Desenhos de António Lindorfo da Silva Ribeiro
ISBN: 972-8318-03-0 . 1996 . 48 páginas . 6,00 euros


18. O CERCO DA QUIMERA
Isabel Rainha
Fotos de Mário Sérgio
ISBN: 972-8318-25-1 . 1997 . 86 páginas . 7,00 euros


19. NOMES DE ÁRVORES QUEIMADAS
José Viale Moutinho
ISBN: 972-8318-20-0 . 1997 . 46 páginas . 6,00 euros


20. IN LIMINE
Paulo Jorge Melo
ISBN: 972-8318-19-7 . 1998 . 198 páginas . 11,50 euros


21. AR . MAR . AMAR
Alberto Marques
Fotos de Filipe Figueiredo e desenhos de Pedro Craveiro
ISBN: 972-8318-21-9 . 1997 . 152 páginas . 8,00 euros


22. CHÃO . FOGO . AMOR
Alberto Marques
Fotos de Filipe Figueiredo e desenhos de Pedro Craveiro
ISBN: 972-8318-35-9 . 1998 . 144 páginas . 8,00 euros


23. POEMAS EM DOIS TEMPOS
Maria Lucília Mercês de Mello
Fotos e desenhos da Autora
ISBN: 972-8318-51-0 . 1998 . 120 páginas . 7,00 euros


24. LEITURA DOS ACTOS
José Correia Tavares
Fotos de Yvone Böhler e desenhos de Hieronymus
ISBN: 972-8318-50-2 . 1998 . 110 páginas . 8,00 euros


25. PROMETEU
TRILOGIA EM CINCO EPISÓDIOS
Delfim F. Leão
Desenhos de Filipe Cravo
ISBN: 972-8318-55-3 . 1999 . 72 páginas . 8,00 euros


26. NAS CORTES DA SAUDADE
ANTOLOGIA POÉTICA
Lucian Blaga
Prefácio de José Augusto Seabra
Tradução do romeno e posfácio de Micaela Ghicescu
ISBN: 972-8318-61-8 . 1999 . 160 páginas . 10,50 euros


27. CONSPIRAÇÃO DA NEVE
José Augusto Seabra
ISBN: 972-8318-64-2 . 1999 . 64 páginas . 8,00 euros


28. OLHOS NO PRESENTE
José Ribeiro Ferreira
ISBN: 972-8318-73-1 . 1999 . 56 páginas . 7,50 euros


29. ENQUANTO O TEMPO
Telo de Morais
Ilustrações de José Daniel Abrunheiro
ISBN: 972-8318-95-2 . 2000 . 86 páginas . 11,00 euros


30. O GRAU FEMININO DA POESIA
Delfim F. Leão
Ilustrações de Catarina Ferreira
ISBN: 972-798-003-1. 2001 . 64 páginas . 12,50 euros


31. OS PASSOS CONTRA O VENTO
Horácio
Versão do latim por Walter de Medeiros
Edição bilingue
ISBN: 972-798-002-3 . 2001 . 58 páginas . 12,50 euros


32. CANTO EM TOM MAIOR
Isabel Rainha
ISBN: 972-798-006-6 . 2001 . 74 páginas . 7,50 euros


33. VÉRTICE DA SOMBRA
Américo Teixeira Moreira
ISBN: 972-798-016-3 . 2001 . 72 páginas . 8,50 euros


34. LÍNGUAS DE FOGO
João de Mancelos
ISBN: 972-798-012-0 . 2001 . 82 páginas . 9,00 euros


35. TEMPO DE BRUMA
Maria Lucília Mercês de Mello
Desenhos da Autora
ISBN: 972-798-018-X . 2001 . 86 páginas . 9,00 euros


36. A FONTE
Paulo Jorge Melo
ISBN: 972-798-044-9 . 2002 . 96 páginas . 8,50 euros


37. A OUTRA FACE DO LABIRINTO
José Ribeiro Ferreira
Ilustrações de Catarina Ferreira
ISBN: 972-798-051-1 . 2002 . 106 páginas . 9,00 euros


38. A NEGRITUDE E A SAUDADE
Homenagem a Léopold Sédar Senghor
Tradução e prefácio de José Augusto Seabra
ISBN: 972-798-060-0 . 2002 . 60 páginas . 10,00 euros


40. AS PALAVRAS DO SILÊNCIO
Stella da Câmara Lomelino
ISBN: 972-798-093-7 . 2004 . 72 páginas . 10,00 euros


40. LIBELLUS
José Maria Martins da Costa
ISBN: 972-798-099-6 . 2004 . 96 páginas . 12,50 euros


41. SINTONIAS
Maria Lucília Mercês de Mello
Desenhos da Autora
ISBN: 972-798-088-0 . 2003 . 116 páginas . 14,00 euros


42. MANHÃ NOCTURNA
José António Pimenta
ISBN: 972-798-102-X . 2005 . 94 páginas . 13,00 euros


43. ODEIO E AMO
Catulo
Tradução de José Ribeiro Ferreira
ISBN: 972-798-134-8 . 2005 . 76 páginas . 12,00 euros


44. TRILOGIAS LÍRICAS
Maria Lucília Mercês de Mello
ISBN: 972-798-149-6 . 2005 . 112 páginas . 14,00 euros


45. MESETA SUL
Fernando Miguel Bernardes
ISBN: 972-798-140-2 . 2005 . 90 páginas . 13,00 euros


46. DOIS DIAS E UM SERÃO NO INFERNO
Delfim F. Leão
ISBN: 972-798-135-6 . 2006 . 80 páginas . 12,00 euros


47. ESTADISTA, POETA E SÁBIO
Sólon
Tradução de Delfim F. Leão
ISBN: 972-798-164-X . 2006 . 54 páginas . 10,00 euros


48. EPITÁFIOS A UMA INSENSATEZ INACABADA
Miguel Barbosa
ISBN: 972-798-165-8 . 2006 . 78 páginas . 12,00 euros


49. RECICLADOS
Maria José Lopes
ISBN: 972-798-170-4 . 2006 . 78 páginas . 12,00 euros

quarta-feira, agosto 16, 2006

Vida de Rómulo

Vida de Rómulo, Plutarco
Tradução de Delfim F. Leão
Colecção MinervaTextos 2
MinervaCoimbra 2006
88 pp . ISBN 972-798-172-0


A maioria das fontes antigas aceitava que Rómulo e Remo haviam nascido de Reia Sílvia, filha do rei Numitor, o legítimo herdeiro do trono albano e que fora deposto pelo irmão Amúlio. Como forma de prevenir a eventual reivindicação do sólio por algum descendente de Numitor, Amúlio obrigou a sobrinha a fazer-se Vestal. Dado que as servidoras de Vesta tinham de permanecer virgens, o nascimento dos gémeos encontrava-se, de certa forma, envolto em polémica e infracção, o que teria facilitado a decisão de Amúlio de mandar lançar as crianças ao Tibre.
Da piedade ou receio da pessoa encarregada de cumprir a sentença resultou que os dois irmãos foram colocados numa cesta que, ao ser arrastada rio abaixo pela correnteza, acabaria depositada no banco de areia de uma das margens. Uma vez aí, os gémeos começaram por ser amamentados por uma loba, até que uns pastores os recolheram e criaram. Rómulo e Remo cresceram nesse meio, ignaros da verdadeira identidade, embora as suas naturais qualidades de liderança os projectassem como chefes dos companheiros, que se envolviam em frequentes escaramuças e bravatas com outros pegureiros, piratas e ladrões que actuassem na região.
Ao tomarem conhecimento da real ascendência, os gémeos atacaram Alba Longa e repuseram no trono o avô, Numitor, embora optassem por não permanecer na cidade, cujo governo lhes caberia mais tarde por direito. Em vez disso, decidiram fundar uma colónia de Alba Longa, no local onde haviam sido salvos. A nova urbe acabaria por chamar-se Roma, designação que derivaria de Rómulo, depois de ele ter assassinado o irmão numa querela fútil, por alturas da delimitação das muralhas da cidade. Roma conheceu um crescimento rápido, devido sobretudo à grande capacidade de integração e acolhimento de outras pessoas, mesmo de elementos marginais e potencialmente perigosos, se bem que o futuro a médio prazo se visse comprometido pela falta de mulheres; daí o episódio do rapto das mulheres sabinas e posterior integração dos Sabinos, traduzida na partilha do governo entre Rómulo e Tito Tácio. Roma continuou a aumentar em poder e importância demográfica, numa expansão rápida, justificada essencialmente por dois factores: por um lado, a poderosa força bélica, que ora atraía e forçava a celebração de alianças com os vizinhos ora permitia infligir pesadas derrotas aos inimigos; por outro, a enorme capacidade para absorver elementos externos, fossem imigrantes, confederados ou mesmo as partes vencidas em conflito.

Já publicado nesta Colecção:
A Coragem das Mulheres, Plutarco
Tradução de Maria do Céu Fialho, Paula Barata Dias e Cláudia Cravo da Silva
Colecção MinervaTextos 1
MinervaCoimbra 2001
70 pp . ISBN 972-798-001-5

quinta-feira, julho 27, 2006

Hélia Correia nas Terças-Feiras de Minerva



A Livraria Minerva, em colaboração com o Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, promoveu uma sessão das Terças-Feiras de Minerva dedicada à apresentação da obra de Hélia Correia e Henrique Cayatte, “Mopsos, o Pequeno Grego II – A Coroa de Olímpia”.






Com a presença da escritora e do ilustrador, a obra foi apresentada por José Ribeiro Ferreira e a sessão contou ainda com a dramatização de fragmentos de poesia grega sobre o vinho e a leitura de passos da obra de Hélia Correia por elementos do grupo de teatro Thíasos, do Instituto de Estudos Clássicos.

“Mopsos, o Pequeno Grego II – A Coroa de Olímpia” é o segundo volume da série centrada na personagem do pequeno Mopsos, filho de Apolo e neto do grande adivinho Tirésias, que já faz as delícias de muitos leitores.




Depois de, no volume anterior, “O Ouro de Delfos”, se ter acompanhado o protagonista na visita ao grande santuário e oráculo do deus da claridade, da razão, da poesia e da música, Hélia Correia leva-nos agora a outro grande santuário da Grécia antiga, para assistir à realização dos primeiros Jogos Olímpicos, criados por Héracles e viver os últimos momentos da sua organização e da construção das estruturas necessárias a acolher atletas e delegações, sentir as emoções da chegada dos participantes e concorrentes, e o sabor das alegrias da vitória.






Tal como no o volume anterior, também este aparece ilustrado com desenhos simples e sugestivos de Henrique Cayatte. Ilustrações singelas, de traço seguro, e que são um regalo estético, provando que Hélia Correia e Henrique Cayatte foram uma dupla feliz.

Em suma, “Mopsos, o Pequeno Grego II – A Coroa de Olímpia” oferece prazer estético na leitura e na contemplação das ilustrações deixa o leitor ansioso pelo próximo volume já anunciado - “Mopsos, o Pequeno Grego III – O Carneiro da Cólquida” – que naturalmente proporcionará a companhia de Jasão e dos Argonautas, com suas aventuras na terra de Medeia, mas também a presença, intensa e excessiva, dessa terrível e fascinante mulher que nunca se deixa vencer ou se dá por vencida.

As Terças-Feiras de Minerva regressarão em Setembro.

sábado, julho 15, 2006

Terça-Feira de Minerva

O Presidente do Conselho Directivo, o Director do Instituto de Estudos Clássicos e a Livraria Minerva têm o prazer de convidar para mais uma sessão das Terças-Feiras de Minerva, a realizar no próximo dia 25 de Julho, pelas 21h30, na Livraria Minerva (Rua de Macau, nº 52), com o seguinte programa:

– Dramatização de fragmentos de poesia grega sobre o vinho;

– Lançamento do livro de Hélia Correia, Mopsos o Pequeno Grego. II – A Coroa de Olímpia (Relógio d’Água, 2006). Apresentação de José Ribeiro Ferreira;

– Leitura de passos da obra pelo grupo Thíasos do Instituto de Estudos Clássicos.

A sessão contará com a presença da escritora e do ilustrador.


As Terças-Feiras de Minerva regressarão em Setembro.

Arte na Quinta da Sobreira Quinhentista



Numa organização conjunta da Galeria Minerva (Coimbra), Santiago Ribeiro e Quinta da Sobreira Quinhentista, foi ontem inaugurada uma exposição colectiva de Pintura, Cerâmica e Escultura, no bar Quinta da Sobreira Quinhentista, em Ançã.












A mostra tem obras de COLETTE VILATTE, HELENA TOSCANO, ISABEL DIAS (escultura), JOÃO BERARDO, LÚCIA MAIA, MARIA PEDRO OLAYO (cerâmica), MÁRIO SILVA, MINDA LAVADO, PEDRO OLAYO (Filho), PINHO DINIS, RUI CUNHA, SANTIAGO RIBEIRO, VASCO BERARDO e ZÉ PENICHEIRO.







A exposição pode ser visitada até ao próximo dia 31 de Julho de terça a sexta das 12:00 às 02:00 horas e aos sábados e domingos das 14:00 às 04:00 horas.

Desenho e Pintura de Renato e Zé Lopes na Galeria Minerva


A Galeria Minerva inaugurou ontem exposição de Desenho e Pintura de Renato e Zé Lopes que pode ser visitada até ao próximo dia 16 de Agosto de segunda a sábado das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 20:00.



José Renato Barreira Dias Ribeiro
Renato nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1949.
É pintor e escultor. Estudou desenho e escultura no Atelier dos Escultores Vasco Pereira da Conceição e Maria Barreira. Frequentou até ao 3.º ano o curso de Teatro e Encenação, no Conservatório Nacional de Lisboa. Cursou Arte dos anos 60, 70, 80, do Centro de Arte Moderna (CAM/JAP), Lisboa. É sócio da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Fez várias ilustrações para a revista “Noesis” do Ministério da Educação e para a revista “Atlantis” da TAP. É membro fundador do “Grupo de Artes Plásticas de Pontével”.
Está representado em vários lugares públicos e privados do país e em colecções particulares.
Está representado com trabalhos de escultura na discoteca “Hora H”, na Praia da Rocha (Algarve), na discoteca “Vai de Rastos” (Cartaxo), no “Salão Quinta Nova” (Pernes), no bar “Toma Lá Noite” (Aveiras de Cima).
Está representado com trabalhos de pintura no restaurante “Charrette” (Pontével) e na discoteca “Horta 2” (Portimão).
É autor das bandeiras da Sociedade Filarmónica e do Centro de Dia de Pontével. Está representado na colecção da Câmara Municipal do Cartaxo, tendo participado na II Mostra Colectiva do Património Municipal em 1993.
Em 1994, integrado na Eco Cartaxo’94 (na qual colaborou) expõe escultura, pintura, desenho e é autor do painel de fundo.
Em 1996 (a 1 de Junho) participou nas actividades do Dia Mundial da Criança em Constância – organização da Comissão Concelhia de Educação, a convite da Câmara Municipal.
Pertence ao MAC (Movimento Artístico de Coimbra).

Exposições
Participou em mais de 70 Exposições Colectivas em vários locais, como por exemplo, além de outras:
• Casa do Ribatejo (Lisboa) – 1995
• Sociedade Nacional de Belas-Artes (Lisboa) – de 1995 a 1999 e de 2001 a 2005
• Biblioteca Municipal de Constância – 1996
• Galeria Municipal (Sala Pintor José Tagarro), Cartaxo – 1983, 1991 e de 1993 a 1997
• Galeria Municipal Maria Cristina Correia (Gerardo da Maia), Azambuja – 1997
• Antiga Biblioteca Municipal de Constância – 1997
• Fórum Mário Viegas (Salão de Outono 88), Santarém – 1988
• Galeria Minerva, Coimbra – de 2001 a 2005 (Exposições conjuntas com Zé Lopes)
• Casa Municipal da Cultura, Coimbra – MAC 2003, 2004, 2005
• Biblioteca Municipal de Tomar – 2004, 2005 (conjuntas com Zé Lopes)








Simultaneamente foi apresentado o mais recente livro de Poesia de Maria José Lopes - RECICLADOS - que foi apresentado por Maria Teresa Desterro com leitura de alguns poemas por José Ribeiro Ferreira e Isabel de Carvalho Garcia.





Maria José da Conceição Vicente Lopes Dias Ribeiro
Zé Lopes nasceu em Pontével a 2 de Fevereiro de 1949.
É pintora de Arte. Frequentou, em 1967 a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e o Conservatório Nacional – Curso de Arte de Representar e Encenação, onde concluiu o Curso de Arte de Dizer.
Em 1969, orientada pelo pintor Renato Ribeiro, com quem vem a casar, começa a dedicar-se à pintura. Cursou Arte dos anos 60, 70, 80, do Centro de Arte Moderna (CAM/JAP) – Lisboa. É sócia da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Está representada em vários lugares públicos e privados do país e em colecções particulares. É membro do Grupo de Artes Plásticas de Pontével. Está representada na colecção da Câmara Municipal do Cartaxo, tendo participado da II Mostra Colectiva do Património Municipal em 1993.
Em 1994, integrada na Eco Cartaxo’94 (na qual colaborou) expõe pintura, desenho.
A 1 de Junho de 1996, a convite da Câmara Municipal de Constância, participou nas actividades do Dia Mundial da Criança, em Constância – organização da Comissão Concelhia de Educação.
Pertence ao MAC (Movimento Artístico de Coimbra).

Exposições
Participou em cerca de 70 Exposições Colectivas em vários locais, como por exemplo, além de outras:
• Casa do Ribatejo (Lisboa) – 1995
• Biblioteca Municipal de Constância – 1996
• Galeria Municipal (Sala Pintor José Tagarro), Cartaxo – 1983, 1991 e de 1993 a 1997
• Galeria Municipal Maria Cristina Correia (Gerardo da Maia), Azambuja – 1997
• Biblioteca da Junta de Freguesia de Pontével (integrada nas Comemorações dos 800 anos do 1.º Foral – 1994
• Antiga Biblioteca Municipal de Constância – 1997
• Sociedade Nacional de Belas-Artes (Lisboa) – 1999 e de 2001 a 2005
• Galeria Minerva, Coimbra – de 2001 a 2005 (Exposições conjuntas com Renato)
• Casa Municipal da Cultura, Coimbra – MAC 2003, 2004, 2005
• Biblioteca Municipal de Tomar – 2004, 2005 (conjuntas com Renato)





quarta-feira, julho 12, 2006

GALERIA MINERVA na QUINTA DA SOBREIRA QUINHENTISTA (Ançã)

A Galeria Minerva (Coimbra) e a Quinta da Sobreira Quinhentista (Ançã) inauguram no próximo dai 14 de Julho, pelas 21h30, uma exposição colectiva de Pintura, Cerâmica e Escultura, na Quinta da Sobreira Quinhentista (Rua Outeiro do Paço, Ançã).

A mostra tem obras de COLETTE VILATTE, HELENA TOSCANO, ISABEL DIAS (escultura), JOÃO BERARDO, LÚCIA MAIA, MARIA PEDRO OLAYO (cerâmica), MÁRIO SILVA, MINDA LAVADO, PEDRO OLAYO (FILHO), PINHO DINIS, RUI CUNHA, SANTIAGO RIBEIRO, VASCO BERARDO e ZÉ PENICHEIRO.

A exposição pode ser visitada até ao próximo dia 31 de Julho de terça a sexta das 12:00 às 02:00 horas e aos sábados e domingos das 14:00 às 04:00 horas.

Organização: Galeria Minerva, Santiago Ribeiro e Quinta da Sobreira Quinhentista

terça-feira, julho 11, 2006

Lançamento e exposição na Galeria Minerva


Maria José da Conceição Vicente Lopes Dias Ribeiro (Maria José Lopes) nasceu em Pontével (Ribatejo), a 2 de Fevereiro de 1949.
Começa a escrever poesia ainda criança.
Publica o primeiro livro de poesia – Voo do Poeta – (Edição de Autor) em Maio de 1966., quando ainda frequentava o Colégio Andaluz em Santarém.
Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e o Conservatório Nacional – Curso de Arte de Representar e Encenação, onde concluiu o Curso de Arte de Dizer.
Em Junho de 1970, já casada com o pintor Renato, publica o segundo livro de poesia – O Anjo Azul – (também Edição de Autor).
Continua a escrever poesia.
É pintora de Arte (Zé Lopes).

A exposição pode ser visitada de segunda a sábado das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 20:00.

segunda-feira, julho 03, 2006

EPITÁFIOS A UMA INSENSATEZ INACABADA
















O mais recente livro do poeta, dramaturgo e pintor, Miguel Barbosa editado pela MinervaCoimbra foi lançado no Museu Nacional de Arqueologia, Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. "Epitáfios a uma insensatez inacabada" é o número 48 da Colecção Poesia Minerva dirigida por José Ribeiro Ferreira.
















Luís Machado, Joaquim Pessoa, Lívia Cristina, Miguel Barbosa e Isabel de Carvalho Garcia


A mesa presidida por Lívia Cristina em representação do Director do Museu, Luís Raposo, contou ainda com Miguel Barbosa, Joaquim Pessoa (que fez a apresentação do livro), Luís Machado (leitura de alguns poemas) e Isabel de Carvalho Garcia que em nome da editora agradeceu a oportunidade de apresentar este livro num local tão envolvente e simbólico como o Museu Nacional de Arqueologia. A editora teceu algumas considerações sobre o autor, e o seu vasto curriculum, que para além da literatura envolve ainda a pintura com inúmeras exposições em Portugal e no estrangeiro.

Isabel Garcia aproveitou a oportunidade para perante uma plateia de ilustres poetas e escritores mais uma vez elucidar que as Edições MinervaCoimbra nasceram há 20 anos, em Coimbra, com uma forte ligação à Universidade através dos seus autores, consultores, directores de colecção e as mais variadas colecções temáticas e co-edições. E que esta editora que inicialmente aparecia com a marca Livraria Minerva passou a marca registada de Edições MinervaCoimbra e é propriedade de José Alberto Amaral Garcia e Maria Isabel Fernandes de Carvalho Garcia.

















Epitáfios a uma insensatez inacabada ou um acertar de contas com a vida


Toda a eternidade cabe num segundo. E o que é um segundo? Um momento? Um instante? E, além disso, esse momento, esse instante que se capta, é a captação de uma realidade do presente ou, apesar de um segundo apenas, ela é já passado, é inexoravelmente passado, porque simplesmente o presente não existe?

Tantas perguntas, tão poucas respostas, muitas dúvidas, nenhumas certezas, ou melhor, uma certeza apenas na observação destes momentos que o talento do Miguel Barbosa permitiu roubar à eternidade para nos dar de presente, já que o presente, talvez não exista mesmo. E essa certeza é a de que, arrancados à vida, todos estes poemas são ao mesmo tempo momentos do passado e do futuro, e isto é a razão fundamental para perpetuar a poesia e a arte, que o mesmo é dizer, perpetuar a vida. Essa vida feita de encontros e desencontros, de ternura e lágrimas, de riso e de tristeza, de desilusão e de esperança.

O Miguel Barbosa não empurra o vento. Ele sabe que há coisas que não são captáveis, e não vale a pena fazer de conta que o são. Os seus poemas não são retratos psicológicos, os seus momentos retirados à vida são reais, não são imaginários. Eles aí estão, plenos de força, plenos de vida, que o mesmo é dizer de beleza, de constrangimento, de admiração. E também de coragem.

Na sua arte o pintor/poeta repara naquilo que o comum dos mortais tem por vezes dificuldade em ver. Se é essa a sua principal virtude, é esse o seu principal tormento. O poeta não desolha, não se distrai, não recua perante a vida. Dá-lhe apenas a sua pincelada pessoal, específica, própria, como uma impressão digital. O resto somos nós que temos que ver, que ler, que interpretar, porque, como estes momentos o demostram, quanto mais clara parece a leitura, mais complexa é a sua interpretação.

É, afinal, a diferença entre o que é fácil e o que é simples.
Apenas isso.

"Epitáfios a uma insensatez inacabada" é fruto de um longo percurso de escrita poética de Miguel Barbosa. Escrita sedimentar que se foi acumulando como o pólen ou, simplesmente, como o pó.

Digo como o pólen, no sentido da construção laboriosa de um corpo lírico conseguido com a paciência da abelha, trabalho de amor, de carinho renovado, de ternura que vai cristalizando como o mel, e que acaba por ir alimentando a escrita e o próprio poeta.

Digo como o pó, no sentido da memória: cantar é viajar pelo corpo e pela memória. Cantar é dar corpo à vida. É dar memória às coisas vivas, quase como na arqueologia. Por isso são, em muitas coisas, parecidos os arqueólogos e os poetas: trazem o passado ao presente e oferecem um presente ao futuro.

Mas é nítido que o nosso poeta escolhe, ou ganha, também outro lugar: o lugar do coração, uma pátria interior que extravasa as fronteiras do corpo, onde o outro ocupa uma grande parte dos territórios físico e emocional. Por isso, estes também são poemas de amor, quando se revelam como afirmações do sofrimento humano e amoroso, dos enganos, das frustações, da decepção ou do júbilo. São poemas de enorme dimensão pessoal, de permanente declaração inequívoca de que o outro não nos substitui, o outro não nos anula, o outro não é senão o outro em nós.

Seja alegria ou ansiedade, tranquilidade ou desespero, euforia ou sofrimento, o Miguel sabe transmitir rápida e profundamente todas essas disciplinas da emoção, ele que continua a ser um rebelde, mesmo sentindo que o corpo se sente prisioneiro de situações que a alma rejeita, para subir às alturas da liberdade. Escrever poesia é falar de libedade. É atingir a sua essência, aquilo que ela tem de mais belo e de mais humano: a criação.

Disse unm dia, de mim, o Miguel: Para o Joaquim Pessoa não há arte sem o poético coeficiente humano. Existe constante procura neste poeta-pintor da simplicidade, da síntese da essência do objecto e da criação.

Eu poderia, para falar dele, escrever hoje as mesmas palavras.
E acrescentar, prosaicamente; Miguel Barbosa, és um grande poeta, e este é um belo livro de poesia!

Naturalmente, nem tu, nem o teu livro poderão estar na graça de todos. Se assim for, é muito bom.

Lembra-te que nem Deus, que é supremo artista, consegue agradar a toda a gente.

A mim, até porque és susceptível, agradas-me.


Joaquim Pessoa