domingo, junho 01, 2008

Vencedor de Oscar expõe na Galeria Minerva



A Galeria Minerva tem patente exposição de pintura do artista plástico holandês Marco Rooth. A mostra poderá ser visitada na Galeria Minerva (Rua de Macau 52, ao Bairro Norton de Matos), até ao dia 20 de Junho, de segunda-feira a sábado das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 20h00.

Natural de Haia, Holanda, Marco Rooth é pintor, ceramista, fotógrafo, e director artístico e produtor cinematográfico. Frequentou o curso de História de Arte na Universidade de Amesterdão, Holanda, e começou a sua carreira em 1973, como ceramista, tendo-se mudado em 1978 para Paris a fim de trabalhar com o ceramista mundialmente conhecido Albert Diato.

Com o decorrer do tempo, evoluiu do trabalho de cerâmica tradicional para a escultura cerâmica, que foi o ponto de partida para a sua presente paixão, a pintura. Enquanto artista, Marco Rooth sempre se sentiu fascinado com os tons terra e com bastante estrutura nas telas. Muitas das cores usadas no seu tempo de ceramista são agora usadas como cores base das suas pinturas.

Por vezes o seu trabalho é classificado de introvertido: superfícies muito abstractas com cores sóbrias. Outras vezes as suas combinações de cores parecem emergir da tela. Alguns dos seus recentes trabalhos foram inspirados nas suas visitas a Portugal.

Marco Rooth expôs em toda a Europa desde Amesterdão, Haarlem, Delft, até Moscovo e Florença. Em Portugal começou a expor em 2006. Como director artístico e produtor cinematográfico, alguns trabalhos em que participou foram premiados. Destacamos: Winner Golden Calf, Grande Prémio da Holanda - Best Production Design 2004, com o filme De Dominee (O Padre). Em 1994 como assistente artístico, Oscar com o filme Antonia de Marleen Gorris. Em 1992 o Prémio de Roma com IK ga naar Tahiti de Gerrard Verhage.















Exposições

Holanda
Amesterdão: Gallery De prinsenkamer, ceramica – 1975, Gallery W139 , escultura , pintura, cerâmica – 1982, Gallery Vondelkerk, pintura – 1995, Galllery Ijmuiden,pintura – 2002 e Gallery Vriend van Bavinck – 2007
Haarlem: Câmara Municipal, pintura – 1998

Itália
Florença: Gallery Container, pintura – 1987

Rússia
Moscovo: Gallery Dom, pintura – 1989

Portugal
Ponte de Lima: Câmara Municipal, pintura – 2006
Serpa: Câmara Municipal, pintura – 2007
Caminha: Arte na Leira, pintura – 2007














sexta-feira, maio 30, 2008

Estigma afecta todas as relações sociais

Isabel de Carvalho Garcia, João Maria André, Hélder Lourenço,
Adriano Vaz Serra e Fernando Almeida



O ciclo “A Mente: saúde e bem-estar” organizado pela Edições MinervaCoimbra, Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Mental (SPESM) e Serviço de Violência Familiar do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, no âmbito das Terças-Feiras de Minerva, encerrou com chave de ouro.

Com uma sessão intitulada “Saúde Mental: estratégias para a educação e sensibilização do público”, o ciclo fechou com as presenças de Fernando Almeida (médico de Saúde Pública), Hélder Lourenço (enfermeiro) e de Adriano Vaz Serra (psiquiatra) e com os habituais comentários de João Maria André (professor de Filosofia e encenador).

Começando por recordar que “há um número muito grande de pessoas que tem uma má Saúde Mental”, Adriano Vaz Serra, director da Clínica Psiquiátrica dos HUC, salientou alguns dados oficiais da Organização Mundial de Saúde que referem que “as perturbações mentais correspondem a 8,1 por cento da carga mundial de morbilidade”. Uma carga “maior do que aquela que se encontra em todos os tipos de cancro” e que “aumenta para um número substancialmente maior, de 45 por cento, se forem consideradas as perturbações do comportamento associadas ao abuso de substâncias, à violência e ao suicídio”.

Mas não é só a incapacidade que acompanha as doenças mentais. Também o estigma “é um atributo negativo poderoso em todas as relações sociais”. Estigma que, enunciou ou especialista, dá origem a “vergonha, acusação, segregação, isolamento, exclusão social, criação de estereótipos e discriminação”.

Também Fernando Almeida, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, recordou que “os estereótipos, os preconceitos e a discriminação privam as pessoas com doenças mentais de terem acesso às oportunidades de vida, essenciais para alcançar os seus objectivos, principalmente os que se relacionam com a obtenção de um emprego competitivo e de uma vida independente e segura numa habitação própria. A discriminação está presente no trabalho, na educação, nos cuidados médicos, na habitação, nos alojamentos públicos e até mesmo na prestação de serviços de saúde mental”.

Fernando Almeida salientou uma pesquisa recente onde se refere que “existe uma forte correlação entre os sentimentos de medo revelados e o nível de distância social do público em relação à doença mental, devido à raridade dos contactos”. Daí que, acrescentou, se defenda “que a abordagem à mudança social implica intensificar a familiaridade do público com as pessoas com experiência de doença mental e dessa forma combater o estigma e a discriminação”.

E recorrendo a uma lista de indivíduos famosos como Florbela Espanca, Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa, Victor Hugo, Edgar Allan Poe, Peter Tchaikovsky, Sting, Kurt Cobain, Ernest Hemingway, Van Gogh, Axel Rose, Peter Gabriel, Ted Turner, Jim Carey ou Francis Ford Coppola, Fernando Almeida recordou que todos são pessoas com um trabalho reconhecido mas que têm em comum o facto de terem sofrido, ou sofrerem, de doença mental.

O enfermeiro Hélder Lourenço deu conta da experiência de Viseu, na qual se integra, e em que os técnicos de Saúde fazem psicoeducação no meio, aos utentes e respectivos cuidadores, apoiando em situações de crise, com visita domiciliárias não programadas, consultas ou internamentos em tempo útil.

Segundo afirmou, “a atenção baseada na comunidade tem melhor efeito sobre o resultado e a qualidade da vida das pessoas com transtornos mentais crónicos do que o tratamento institucional” e “os serviços de Saúde Mental devem ser prestados na comunidade”, fazendo uso de todos os recursos disponíveis. “Os grandes hospitais psiquiátricos de tipo carcerário devem ser substituídos por serviços de atenção na comunidade, apoiados por leitos psiquiátricos em hospitais gerais e atenção domiciliar que atenda a todas as necessidades dos doentes que eram de responsabilidade daqueles hospitais”, concluiu.










quarta-feira, maio 28, 2008

sábado, maio 24, 2008

sexta-feira, maio 23, 2008

Estratégias para a educação e sensibilização do público em Saúde Mental

Isabel de Carvalho Garcia, João Maria André, Rui Paixão e Beatriz Pena


Termina no dia 27 o ciclo “A Mente: saúde e bem-estar” organizado pela Edições MinervaCoimbra, Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Mental (SPESM) e Serviço de Violência Familiar do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, no âmbito das Terças-Feiras de Minerva.

Com uma sessão intitulada “Saúde Mental: estratégias para a educação e sensibilização do público”, o ciclo encerra com as presenças de Fernando Almeida (médico de Saúde Pública), Hélder Lourenço (enfermeiro) e de Adriano Vaz Serra (psiquiatra) e com os habituais comentários de João Maria André (professor de Filosofia e encenador). A sessão realiza-se no dia 27 de Maio e tem início às 21h30, na Livraria Minerva (Rua de Macau, 52 – Bairro Norton de Matos), em Coimbra.

Na sessão anterior, que teve como convidados a pedopsiquiatra Beatriz Pena e o psicólogo Rui Paixão, foi dedicada à “Promoção da Saúde Mental: uma perspectiva desenvolvimental”. Segundo Beatriz Pena, a promoção da Saúde Mental infantil é fundamental para qualquer sociedade porque “são comuns os problemas infantis do foro psiquiátrico”. Estudos europeus revelam que a prevalência e problemas emocionais e comportamentais na criança e no jovem é de 12 a 20 por cento, enquanto a investigação epidemiológica longitudinal mostra que 50 a 60 por cento destas perturbações persistem na vida adulta.

Por outro lado, “a aquisição de competências ao longo do desenvolvimento, permitindo aumentar o bem-estar, em especial quando têm por alvo crianças que podem estar em risco de desenvolver doenças mentais, pode ter também um efeito preventivo”. Por isso, “promoção e prevenção no contexto da saúde mental infantil complementam-se”, afirmou a pedopsiquiatra.

Rui Paixão focou a sua intervenção nos conhecimentos e teorias sobre a saúde, fundamentais quando se fala em promoção. O que é a doença, o que é a saúde, e quais são as relações entre ambas foram alguns dos pontos focados pelo psicólogo durante a sessão realizada na Livraria Minerva.

Desde a sua primeira sessão, o ciclo “A Mente: saúde e bem-estar” conta com os apoios do Grupo Violência: informação, investigação, intervenção, Rotary Club de Coimbra Santa Clara, Diário de Coimbra, Diário As Beiras, Hotel Dona Inês e Lizarran Coimbra.






sábado, maio 17, 2008

Obra analisa figura mítica de Jasão na literatura alemã


Com apresentação de Maria Teresa Cortez, as Edições MinervaCoimbra e o Centro Interuniversitário de Estudos Germanísticos (CIEG), com direcção de Maria Teresa Mingocho, foi lançada a obra “Uma identidade em (des)construção. A figura de Jasão no Romance Medea. Stimmen de Christa Wolf e no Drama Manhattan Medea de Dea Loher”, de Maria Ângela Moreira Limas, o 13.º título da Colecção Minerva-CIEG, dirigida por Maria Manuela Gouveia Delille.

A figura mitológica de Jasão, líder dos Argonautas, é no imaginário colectivo associada a imagens de bravura e heroicidade e a uma masculinidade viril e dominadora. Tomando o texto canónico euripidiano como ponto de partida, o estudo de Maria Ângela Moreira Limas que compõe esta obra propõe uma análise comparativa da forma como o protagonista masculino é apresentado no romance “Medea. Stimmen” (Medeia. Vozes) de Christa Wolf (1996) e no drama “Manhattan Medea” (A Medeia de Manhattan) de Dea Loher (1999), com particular incidência na problemática do gender e no modo como as obras em apreço concorrem para a consolidação ou para a desconstrução da imagem heróica tradicional.

“De entre os mitos clássicos, o de Medeia foi um dos mais revisitados na literatura ao longo dos séculos”, recordou Maria Teresa Cortez durante a sessão. “A incondicional Medeia que, por amor de Jasão, assassina todos os que se interpõem à fortuna do amado, a incondicional Medeia que, repudiada por Jasão na Cólquida, assassina os filhos de ambos, apagando o rasto da história de amor malograda e deixando o Argonauta em desespero, inspirou escritores, pintores, escultores e foi a ‘estrela’ em peças de teatro, librettos de ópera e filmes”.

Segundo a apresentadora, docente da Universidade de Aveiro, Maria Ângela Moreira Limas faz neste seu livro “um estudo comparativo interessantíssimo da figura de Jasão” nos dois textos literários que compara. São textos escritos por duas autoras de gerações diferentes e com perfis muito diferentes.

Christa Wolf, recorda Maria Teresa Cortez, é “um dos nomes mais celebrados da literatura vinda a lume na RDA” e escreveu a sua Medeia já depois da unificação da Alemanha. Apesar de esta sua obra já ter sido analisada por diversos autores, foi-o sempre do ponto de vista da Medeia, “tendo o Jasão ficado bem mais na sombra”. Diferentemente, acrescenta a apresentadora, Maria Ângela Moreira Limas “centra-se na reconfiguração de Jasão, o heróis da Argonáutica, e dá assim um novo contributo ao estudo do romance de Wolf”.

Quanto à segunda obra analisada, “Manhattan Medea”, de Dea Loher — escritora premiada, entre outros, com o Prémio Bertolt Brecht em 2006 —, teve ainda pouca atenção por parte dos especialistas em literatura. Sobre “Manhattan Medea” “foram apenas escritos uns raros e breves artigos, pelo que o capítulo de quase 100 páginas que a autora dedica a este drama é, sem margem para dúvidas, o estudo mais aprofundado até hoje publicado sobre esta recriação do mito de Medeia”, afirma Maria Teresa Cortez.

Também Maria Manuela Gouveia Delille e Maria Teresa Mingocho elogiaram o trabalho agora editado, deixando à autora o desafio da sua tradução para alemão e, simultaneamente, do aprofundamento do tema num futuro trabalho.

“Uma identidade em (des)construção. A figura de Jasão no Romance Medea. Stimmen de Christa Wolf e no Drama Manhattan Medea de Dea Loher” integra-se no projecto de investigação “Desconstrução e (Re)Construção de Figuras e Motivos Tradicionais e/ou Míticos na Literatura de Expressão Alemã do Século XX”, coordenado por Maria Manuela Gouveia Delille, no CIEG. É, segundo a autora, uma versão levemente refundida da dissertação de mestrado apresentada à FLUC em Agosto de 2007.

Maria Ângela Moreira Limas é professora do 9.º Grupo da Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclos Bento Carqueja, em Oliveira de Azeméis, e é investigadora do CIEG.









Porto atribui honoris causa a Maria Manuela Delille


A Faculdade de Letras da Universidade do Porto atribuiu a Maria Manuela Gouveia Delille o grau de Doutora honoris causa, numa cerimónia que decorreu no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto no dia 15 de Maio.

Maria Manuela Gouveia Delille, actualmente professora catedrática jubilada, exerceu actividade docente na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra durante mais de quatro décadas, entre 1963 e 2006. Durante esse período desenvolveu uma fecunda actividade pedagógica e científica e levou a cabo um intenso trabalho de divulgação da germanística portuguesa a nível nacional e internacional.

Para além do seu trabalho na FLUC — que incluiu a leccionação em cursos de licenciatura e de mestrado, a orientação de inúmeras teses de doutoramento e de mestrado, a direcção do Instituto de Estudos Alemães, a presidência da Comissão Científica do Grupo de Estudos Germanísticos e a coordenação do Programa Erasmus também no GEG —Maria Manuela Gouveia Delille desenvolveu ainda múltiplas e diversificadas actividades no âmbito da germanística.

Destacam-se a orientação científica e pedagógica dos grupos de Estudos Germanísticos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1982-1987) e da Universidade de Aveiro (1988-1993), a fundação da Associação Portuguesa de Estudos Germanísticos (1994), de que foi a primeira presidente, a direcção da revista Runa (1991-1996) e a criação do Centro Interuniversitário de Estudos Germanísticos (1994), de que foi coordenadora científica até à jubilação.

A sua vasta obra publicada tem como principal área de investigação as relações literárias e culturais luso-alemãs, com especial incidência nos estudos de recepção. O seu elevado mérito científico foi reconhecido também pela germanística internacional e valeu-lhe, entre outras distinções, a atribuição, em 2004, do Prémio Jacob und Wilhelm Grimm pelo DAAD [Serviço Alemão de Intercâmbio Académico].