domingo, dezembro 17, 2006

Carlos Lança expõe na Galeria Minerva

A Galeria Minerva tem patente uma exposição de
Pintura de Carlos Lança



A mostra poderá ser visitada até ao próximo dia 17 de Janeiro,
de segunda a sábado,
das 10 às 13 e das 14h30 às 20,
na Rua de Macau, 52, em Coimbra.



CARLOS LANÇA (Lisboa, 1937) iniciou a sua actividade em Lisboa em 1960, mas reside e tem o seu atelier no Porto desde 1976. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em 1966-67 (Lisboa e Paris) e da Hofstra University em 1969-70 (New York).

Com participação em dezenas de exposições, as suas obras foram apresentadas em Portugal e no estrangeiro (Espanha, Itália, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Angola, Brasil, China e E.V.A.), contando-se ainda mais de 200 participações em colectivas na Europa, África, continente americano e Ásia.

É autor de diversos projectos destinados ao espaço público, designadamente de arquitectura monumental, design pedonal, mobiliário urbano, pintura mural, painéis cerâmicos, etc., em Portugal e no estrangeiro.

Possui uma vasta e significativa bibliografia passiva onde se assinalam importantes textos analíticos sobre a sua obra, assinados por autores nacionais e estrangeiros, publicados em destacadas revistas da especialidade quer em Portugal quer além-fronteiras, mas também na imprensa portuguesa e estrangeira, com relevância especial para diversos livros editados em Portugal e dedicados ao seu trabalho, de vários autores.

Na sua bibliografia activa, destaque para "Arte Portugues Contemporáneo" (Publicaciones ARBOR/Madrid -1970), "Descodificações" (Editores Associados/Porto - 1984) e "O Espaço e o Tempo - Registos e Ensaios" (Edição Galeria Sacramento/Aveiro-2004), para além de muitos outros textos sobre arte, publicados em páginas culturais da imprensa, revistas especializadas e catálogos para exposições de outros autores.

Está representado em colecções de Estado, fundações e outras colecções institucionais e privadas em numerosos países europeus, e ainda nos seguintes museus em Portugal:
Museu Nacional de Soares dos Reis, Museu Nacional de Angra do Heroísmo, Museu Tavares Proença Júnior / Castelo Branco, Museu de Ovar, Museu de Mirandela, Museu de Évora, Museu de Souza Cardoso / Amarante, Museu de Chaves, Museu de Setúbal, Museu Infante D. Henrique / Faro, Museu de Lamego, Museu do Desenho / Estremoz, Museu de Arte Contemporânea Diogo Gonçalves / Portimão, Museu de Grão Vasco / Viseu, Museu Municipal de Loures, Museu Municipal de Estremoz, Museu de Porto-de-Mós, Museu Municipal de Santa Maria da Feira e Museu da Cidade / Lisboa.

Está também representado em museus estrangeiros: Museu de Rabat, Museu de Luanda, Museu de Maputo, Museu Luís de Camões / Macau, Museu de Arte Moderna de Pego / Alicante, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu de Brasília, Museu Riopardense / São Paulo, Museu de Arte de Fortaleza, Museu de Arte Contemporânea de Goiás, Museu de Arte Contemporânea de Curitiba, Museu de Arte de Belo Horizonte, Museu do Ceará, Museu de Arte Moderna de Niterói, Museu de Arte de Belém, Museu Nacional de Arte Moderna de Tóquio e Museu de Arte Moderna de Nova Deli.

Foram-lhe atribuídos diversos prémios e outras distinções (Portugal, Espanha, Itália, Brasil e EUA). É membro honorário de várias instituições artísticas e culturais em Espanha, Itália e Brasil e Presidente do Conselho de Direcção Nacional da ANAP (Associação Nacional dos Artistas Plásticos), do Comité Nacional para a AIAP / UNESCO e do Comité Luso-Galaico para a cultura.















CARLOS LANÇA A DINÂMICA ESPACIAL E A (IN)ESTABILIDADE DO TEMPO

Nem todos os artistas de avant-garde da geração de sessenta do séc. XX foram apologetas tão coerentes da modernidade como Carlos Lança, quer do ponto de vista mais ambicioso das suas carreiras, quer nas práticas da promoção profissional democrática, na acepção lógica de um estatuto sociocultural do artista – e, particularmente, do artista plástico – que, maugrado todos os esforços não é, ainda hoje, universalmente tangível.

Portador de um dos mais notáveis e mundivivenciados curricula, Carlos Lança distingue-se da maioria dos autores coevos pela sua preocupação investigacional, seja no domínio ontológico da morfogénese cósmica (que é uma componente invariável na sua pintura abstracta espacio-temporal das últimas décadas), seja no âmbito evolucionionário do ser humano, como entidade biopsíquica, seja na teorização e na investigação estética profunda, no campo da criatividade.

Morfológica e tecnicamente a sua pintura é uma referência de meticulosidade e rigor definitivo, quase microscópicos, evadida de experiências mais remotas em que o autor ensaiou expressões de gestualismo mitigado e explorou o descritivismo e a simbologia geométrica, sabiamente enraizados e florescentes numa paleta de cores singularmente atractivas.

Viajante intemporal de fantásticos espaços míticos, onde se lhe adivinham, e ele nos oferece, momentos de uma invulgaríssima tensão paisagística, Carlos Lança desenvolve o sonho real de um futuro antecipado, prodigalizando-nos uma visão (im)previsível da dinâmica espacial de universos e atmosferas que a poética da science fiction literária e, o próprio audiovisual, raramente ousaram abordar.

As rotas e trajectórias onde, navegante solitário, ele mapeia, anota, regista e ensaia as suas viagens cósmicas, propõem constantes interrogações, simultaneamente, da ritualidade estética, do onirismo surreal e da assunção de uma (in)estabilidade do Tempo que, segundo o seu processus criativo não é abstracto, nem uma constante (i)mutável.

Num esplêndido e muito sintético texto de 1997, após referir-se ao uso que o autor faz «da geometria pura, sagrada e simbólica» (com grande visibilidade, aliás, nas peças patentes desta sua individual, na Minerva de Coimbra), José Troufa Real não se coibiu de salientar algo que remete para o perfil gregário e generoso, porventura, pouco enfatizado, na sua biografia: «A força do seu combate leva-o a defender a causa de todos os artistas.» [...] «Carlos Lança é uma referência na Terra dos Homens, pela sua Arte, pelo seu combate...».

Invoco esta importante recensão, convictamente a co-subscrevendo. E a solidariedade que nos une, ao longo de décadas de leal companheirismo e luta por uma mesma causa, não implica cumplicidades inconfessas, nem complacências: agudiza a exigência crítica, não admite favores de amigo.

José-Luís Ferreira Caramulo, 2006-10-15










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