domingo, dezembro 21, 2008

Encontrar os homens. Pisar a terra. Desvendar o vinho.

José Alberto Garcia, João Paulo Gouveia, Cristina Cunha Martins,
José Maria Pimentel e Isabel de Carvalho Garcia


A Livraria Minerva acolheu o lançamento do livro "Imagens que os vinhos Dão", com fotografia de José Maria Pimentel e edição Confraria dos Enófilos do Dão e Comissão Vitivinícola Regional do Dão, numa sessão regada com vinhos da Quinta do Cerrado, Região Demarcada dos Vinhos do Dão.

Estiveram presentes, entre muitos outros, Cristina Cunha Martins, produtora da Quinta do Cerrado, e João Paulo Gouveia da Confraria dos Enófilos do Dão, que leu o texto que a seguir reproduzimos:


Encontrar os homens. Pisar a terra. Desvendar o vinho.

No Dão, o vinho resulta do amor entre os homens e a terra. Por isso, chegamos e ficamos com a alma agitada. Talvez porque a terra se estende em relevos afagados, raramente agressivos, como é próprio da condição feminina. Não é por acaso que a terra é Mãe na língua portuguesa. Os homens, esses, são viris e têm a solidez do granito onde aprenderam a vida.

Dão é nome de rio e da Região que se espalha por vertentes de suave ondulação, de cor verde e dourado por vontade do Sol e onde o vinho, como nos amores antigos, nasce há muito tempo. Por exemplo, o Infante Dom Henrique levou-o nas caravelas para Ceuta, em 1415. Com ele celebravam a vitória.

No Dão, o vinho corre nas veias da terra e a terra corre no coração dos homens. A sua nobreza resulta da dedicação apaixonada do seu povo, que vai do lagar de pedra aos computadores. Sem essa relação profunda, não há vinho. E é tão forte, que irmana o fidalgo com o modesto camponês na mesma linguagem e na mesma sabedoria.

A Região Demarcada dos Vinhos do Dão merece ser visitada com atenção. Não é nenhuma modernice: foi instituída em 1908.

Primeiro, porque as vinhas estão escondidas pelos pinheiros, pelas giestas, pelos silvados, atrás de um muro. Sentados num automóvel, ficamos a cerca de um metro do solo. Vemos muito pouco ou nada. Há que partir à descoberta: encontrar os homens, pisar a terra e respirar a magia de uma adega.

Depois, não há duas quintas iguais e cada uma é um universo definido.

A Região Demarcada do Dão é maior que a geografia: gente determinada, paisagem irresistível, tradição e modernidade, culturas milenares, gastronomia soberba, a identidade portuguesa, um coração aberto do tamanho do Mundo e um vinho com uma personalidade única no mundo. Enfim, a alegria de viver.

Valdemar Freitas
Presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão

Pedro de Mello de Vasconcellos e Souza
Grão Mestre da Confraria dos Enófilos do Dão










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