quarta-feira, julho 09, 2008

Lançamento em Coimbra: "Vôo adormecido" e "Momento"















Norberto Jaime Rêgo Canha natural de Vales da Vilariça, Alfândega da Fé, Bragança, partiu aos sete anos para Angola.

Os primeiros anos do liceu foram feitos em Luanda no Liceu Salvador Correia. Nessa altura, com mais dois colegas, editou um jornal. Depressa se cansaram… mas a vontade de escrever continuou dentro dele…

Em 1949 veio para Coimbra onde se licenciou em Medicina.

No percurso académico, de Assistente e Doutorado até à sua Jubilação como Professor Catedrático da Faculdade de Medicina de Coimbra, foi também cirurgião e ortopedista na Guiné e Moçambique.

Em Maio de 1961 foi mobilizado para a Guiné onde trabalhou arduamente com muita dedicação e empenho, não só no Hospital Militar onde foi Director de Serviço, como na Missão do Sono, fazendo aí, em serviço que criou, a cirurgia das mutilações leprosas, e recuperando com êxito algumas sequelas da lepra àqueles infelizes enfermos.

Mais tarde, em 1969, já doutorado, a pedido do Prof. Doutor Veiga Simão, Reitor da Universidade de Lourenço Marques, actual Maputo, mudou-se para Moçambique, onde foi Director Clínico, Director do Serviço de Cirurgia II do Hospital da Universidade, Director do Laboratório de Radioisótopos e membro do Senado Universitário.

Como meta final, foi Professor de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e, consequentemente, Director do Serviço de Ortopedia dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Foi sempre sua característica, nas circunstâncias em que tinha de falar, fazer um pequeno discurso ou refugiar-se numa poesia escrita, quantas vezes, na toalha de papel ou num guardanapo a que se acabara de limpar…

E estes versos são alguns desses escritos que irão deliciar ou entediar quando os leitores, conforme o grau de amizade, tolerância e boa vontade…



De Vôo Adormecido, citando Leonor Riscado:

“Vôo Adormecido… voz acordada de um poeta puro que caldeia as memórias da infância com a simplicidade complexa do menino que nasceu, cresceu e amou!”.

“Tempo… relógio sentimental, cadenciado, binário, belo…”.

“A Loja de Brinquedos… ritmo intenso, denso e afectivamente carregado de nostalgia. Notável a voz pura de infância que irrompe no final ‘o sonho é que comanda a vida’”.

“Perguntas ao pai… os professores de português diriam que é uma excelente aplicação da função metalinguística de R. Jakobson… diria, (eu), moderadamente, que é um exercício de inteligência poética”.

“Um baile… o olhar clínico, cirúrgico do poeta, ‘radiografando’ a pista de dança.”

“Pai… o relógio do tempo objectivo/subjectivo, em bater as badaladas em uníssono dos corações de um pai e de um filho”.

“Olhos… olhar poético de profunda paixão. O jogo entre os olhos e o olhar, contido e não explícito, funciona muito bem”.

Sem comentários: