sábado, junho 04, 2011

POSSO SER? DINÂMICAS GRUPAIS EM TORNO DA PERSONALIDADE E DO ENVELHECIMENTO de MARGARIDA PEDROSO DE LIMA e ABI GAIL [no TAGV]


Isabel de Carvalho Garcia, Manuel Viegas Abreu, Isabel Nobre Vargues, Margarida Pedroso de Lima e Isabel Calado


Isabel de Carvalho Garcia, Manuel Viegas Abreu, Isabel Nobre Vargues, Margarida Pedroso de Lima e João Oliveira



POSSO SER? Dinâmicas Grupais em torno da personalidade e do envelhecimentode Margarida Pedroso de Lima e Abi Gail é o mais recente livro das Edições MinervaCoimbra que foi apresentado por Manuel Viegas Abreu (professor da FPCE da UC) no Foyer do TAGV.  A sessão foi iniciada com Isabel Calado (ESEC) que leu um texto de Abi Gail dedicado aos “velhos”. Depois das intervenções de Isabel Nobre Vargues, directora do TAGV, de Isabel de Carvalho Garcia que teceu breves considerações à volta do tema e fez a apresentação das autoras, Manuel Viegas Abreu apresentou o livro, seguindo-se a leitura de textos de Abi Gail nas vozes de João Oliveira (membro fundador do grupo de teatro “ InterDito” da FPCE-UC)  e Maria Toscano. Coube a Margarida Pedroso de Lima encerrar a sessão.
O texto lido por Isabel Calado, de autoria de Abi Gail, diz-nos que “os velhos estão cheios de rugas,  como sulcos. São tortuosos, nenhuma linha direita seria capaz de seguir-lhes os pensamentos. Eles derivam e divergem, perdem-se do que estavam a dizer”, “os velhos falam pouco. É porque têm muito para dizer”, “só as crianças pressentem a sua profundidade. Só as crianças respeitam e temem os velhos”,  “os velhos são dóceis e meigos”, “tudo lhes faz sentido”, “os velhos que já foram novos têm problemas de memória.....apenas  se lembram de já terem sido novos”, “os velhos não fazem projectos e querem lá saber do futuro, que a Deus pertence”
O Professor Viegas de Abreu teceu rasgados elogios à MinervaCoimbra e a Isabede Carvalho Garcia, “não só como editora mas também como promotora de arte; pela  obra cultural que a história de Coimbra registará.”
Em relação ao livro MVA referiu que é um trabalho a duas vozes. Um trabalho com dois timbres diferentes: um timbre mais  científico, embora com incursões  na prática psico-social, a cargo de Margarida Pedroso de Lima e um timbre mais reflexivo, com pendor poético, a cargo de Abi Gail. Um livro que aborda  desde o nascimento até à velhice. Referiu também que é um livro original com ciência, poesia, ficção: um livro de  pendor científico-pedagógico que defende algumas teses.  
A primeira: para compreendermos o comportamento de qualquer pessoa precisamos de conhecer a personalidade. O estudo e a compreensão da personalidade é fundamental. 
A segunda: a personalidade desenvolve-se ao longo da vida. Há possibilidade de transformação. As pessoas nascem com um conjunto de personalidades mas somos também muito feitos por um conjunto de circunstâncias. Ortega Y Gasset dizia que “nós somos nós, cada um de nós é ele próprio e as suas circunstâncias”.  Mas a nossa personalidade desenvolve-se e esse desenvolvimento faz-se ao longo da vida.
Terceira: há quem diga que os idosos estão acabados, que as suas potencialidades estão em declínio. O que esta tese pretende mostrar, com base em conhecimentos científicos, é que o desenvolvimento nunca acaba.
Há uma perspectiva temporal, a pessoa sabe que não tem muito tempo de vida mas tem projectos.  Este livro não é um manual mas é um livro que serve aos estudantes no sentido do conhecimento da complexidade da personalidade. “Somos seres sociais por natureza, seres políticos por natureza, sonhamos com a beleza, a poesia, a arte. Temos o valor do belo  da verdade, da justiça. Este livro pode ser lido como um livro de divulgação. A linguagem é acessível, é uma obra aberta porque é um livro estimulante."
E continuou questionando:  “ Podem as pessoas com doenças mentais, ser?  Podem estes inserirem-se no  nosso mundo  e serem reconhecidos? Ou não as deixamos ser?”
Um  palavra final sobre as perdas de potencialidades: “sobre a perda de competências cognitivas mas também de competências físicas: a emergência de doenças, a perda de pessoas queridas e finalmente a proximidade do tempo da morte”. São reflexões que vêm no final. Resposta que o livro dá sobre o medo da morte. O professor Viegas de Abreu ilustrou este tema com a leitura  do poema “Inominável”, de Paulo Teixeira Pinto dedicado ao filho. Terminou com a conclusão deste livro: “ a luta contra as graves dificuldades da nossa vida é inevitável. É intrinseca à nossa vida enquanto humanos. Só há uma forma de vencermos o medo da morte em vida: o amor, a amizade, os vínculos fortes, porque estes persistem, são eternos, vencem a morte.”
Para Margarida Pedrosso de Lima este livro representa um encontro:um encontro de muitos encontros. Um encontro de muitas personagens, ao longo de um ciclo de vida, que são muito significativas.
Em relação ao grupo de Teatro da  Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação,  MPL referiu que:
Os interdito’s  são importantes para mim porque são a materialização de um sonho meu, que é possível viver no mundo de outra maneira não descriminando idades.Temos todas as idades possíveis e imaginárias e é possível estar de  uma forma simplesmente centrada naquilo que é importante na vida, que são as relações fortes de construção e de encontro. Este grupo permite ser pessoas, simplesmente.”
Margarida Pedroso de Lima diz que este livro permite-nos reflectir  sobre a personalidade e ao mesmo tempo criar um mundo melhor para as pessoas que estão a envelhecer que somos todos nós. "Eu acredito que nós podemos ajudar as pessoas a viverem melhor e mais felizes.”








As autoras
Margarida Pedroso de Lima
Psicóloga, Mestre em psicologia da Educação e Doutorada em Psicologia do Desenvolvimento, exerce funções de Professora Associada na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, onde lecciona disciplinas de psicologia do desenvolvimento na idade adulta. As suas áreas de interesse vão para a intervenção desenvolvimental e terapêutica com grupos e para a investigação sobre os factores promotores de bem-estar na idade adulta avançada.


Abi Gail
Escolheu para si este nome híbrido, que lhe soa a ele e a ela, ao divino e ao profano, ao ocidente e ao oriente e às rezas entoadas pelas multidões, como murmúrios ou cânticos de descentração, destinados a fazer esquecer, a cada um, a sua identidade. Já fez algumas coisas na vida e conta fazer umas quantas mais. Gosta de mudar e também de permanecer, tudo depende do estado em que se encontra. Se fosse bicho, seria um animal metamórfico: de vez em quando com asas, outras vezes rastejante. Se fosse intelectual, entreter-se-ia na variedade e pensaria, disciplinadamente, em miscelâneas. Agradam-lhe as imagens com palavras dentro e mais ainda aquelas que habitam o silêncio. Quanto mais conhece a ciência, mais gosta da literatura, mas toma frequentemente café com as duas, sentadas à mesma mesa. A despesa é sempre por sua conta, a não ser que consiga enganar uma e outra.

1 comentário:

António Castro Santos disse...

Gostei muito da personalidade da(o) Abi Gail e daquilo que nos diz no excerto sobre a velhice aqui reproduzido. Que bom!