sexta-feira, Janeiro 22, 2010

A sexualidade do homem depois dos 50 anos

 
José Alberto Garcia, Joaquim Cabeças, Fernando Tiago Sobral e Carlos Costa Almeida

Assinalando a edição do livro “A sexualidade do homem depois dos 50 anos” da autoria de Yvon Dallaire, as Terças Feiras de Minerva promoveram uma sessão dedicada ao tema, numa conversa com Carlos Costa Almeida (cirurgião vascular), Fernando Tiago Sobral (urologista) e Joaquim Cabeças (psiquiatra).

Começando por fazer uma abordagem histórica da sexualidade e das várias formas como foi encarada ao longo dos tempos, Fernando Tiago Sobral frisou o facto de atualmente a sexualidade ter de ser encarada em idades muito mais avançadas do que há um século atrás, por exemplo.

“Um indivíduo aos 50 anos não é novo mas também não é velho e a qualidade de vida é fundamental”, referiu, salientando a necessidade de manter intactas as várias funções do corpo humano, incluindo a sexualidade. Efetivamente, com o avançar da idade, os homens tornam-se cada vez mais sensíveis aos fatores psicológicos, emotivos e contextuais da sua vida sexual; já não podem contar apenas com os seus impulsos.

O urologista frisou que “a sexualidade a partir dos 50 anos é diferente, como era diferente antes dos 11 anos, e é esta mudança que o livro foca e que é importante que as pessoas percebam, para que não haja ruturas ou dramatismos por desconhecimento”. O especialista explicou depois clinicamente, e de forma mais específica, como é que a sexualidade é influenciada pela idade.

Carlos Costa Almeida, por seu turno, abordou as causas orgânicas das perturbações da sexualidade. O cirurgião vascular recordou que a disfunção erétil é um dos grandes problemas dos homens no processo de envelhecimento, e que em termos estatísticos, a maior parte das vezes essa disfunção se poderá dever a fatores psicológicos e afetivos associados ao medo de envelhecer.

No entanto, salientou, “há causas orgânicas que podem ser corrigidas”, nomeadamente problemas de saúde que afetam a capacidade de ereção, sendo a aterosclerose um desses problemas.

Finalmente, Joaquim Cabeças, psiquiatra, começou por recordar que existem várias fantasias que podem surgir associadas ao envelhecimento e definiu aos presentes as diferentes fases da sexualidade do homem e a importância das companheiras na evolução dessas fases.

De acordo com o psiquiatra, pode acontecer que numa certa idade — e sem ser necessariamente aos 50 — o homem possa não reunir as condições necessárias à concretização do ato sexual. “E mesmo em homens idosos, em termos estatísticos, pode não ser mais do que um dia”, afirmou.

Pensando nas fantasias que algumas pessoas têm da sexualidade após os 50 anos, a relação afetiva das pessoas é fundamental. “Muitas vezes há um grande desgaste emocional que leva à quebra da sexualidade”, referiu, acrescentando que “com esta quebra da sexualidade a erotização é muito difícil”.

“A sexualidade do homem depois dos 50 anos”, de Yvon Dallaire, é o segundo volume da Coleção As Cores do Saber, constituída por livros de bolso a preços acessíveis, recentemente criada pelas Edições MinervaCoimbra e cujo primeiro volume se intitula  “Os benefícios do chocolate”, de Franck Senninger.





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