sexta-feira, abril 04, 2008

Pintura de Sérgio O. Sá na Galeria Minerva


A Galeria Minerva Coimbra inaugura no próximo sábado, dia 5 de Abril, pelas 18h00, a exposição de pintura “Reflexos em (De)Composição”, de Sérgio O. Sá.

A exposição estará patente até ao dia 30 de Abril, na Galeria Minerva Coimbra (Rua de Macau, 52 – Bairro Norton de Matos), de segunda-feira a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 19h00.


Sérgio O. Sá nasceu em 1943. Por força das múltiplas dificuldades em que cresceu, teve de ir trabalhar com 13 anos de idade, vindo a exercer ao longo do seu tempo, diversas actividades, incluindo a de carpinteiro, na construção civil, e a de docente, no ensino público oficial. Tinha já 25 anos quando teve, finalmente, oportunidade de iniciar os estudos liceais. Deu-lhes continuidade e, sempre como estudante trabalhador, seguiu depois estudos superiores. Em 1982 concluiu licenciatura em Artes Plásticas. Mais tarde mestrado em História da Arte.
Como artista plástico, desde 1970, então autodidacta, que vem apresentando ao público os seus trabalhos, sendo esta a sua 50.ª exposição individual. Em mostras colectivas conta com mais de duas centenas e meia de participações.

Alguns dos locais onde a sua obra esteve exposta
Lisboa: Fund. Calouste Gulbenkian; Soc. Nac. Belas Artes; Museu da Água; Fórum Picoas. Porto: Museu Soares dos Reis; Coop. Árvore; Palácio da Bolsa; Galeria da Praça; Galeria Lóios. Amadora: Bienais de Gravura e exposições de Escultura de Ar Livre. Aveiro: Museu de Aveiro. Braga: Museu Nogueira da Silva. Estoril: Salões de Arte Moderna, da Primavera; do Outono. Évora: Festivais de Gravura. Guarda: Museu Regional; Paço da Cultura. Guimarães: Museu Alberto Sampaio. Lagos: Salão de Arte de Lagos “SAL 85”. Maia: Arte Contemporânea da Galiza e Norte de Portugal. Silves: Arte Portuguesa Contemporânea “Algarve 88”. V.N.Cerveira: 2ª,3ª,4ª Bienais de Arte. Viseu: Museu Grão Vasco. Argentina-Quilmes: Centro de Arte Moderno. Brasil-São Paulo: Museu de Arte Brasileira. Coreia do Sul: Universidade de Seoul. Espanha: Bienal Copy Art - Barcelona; Escuela de Artes Aplicadas y Ofícios Artísticos - A Coruña; Galeria Anagma - Valência; Galeria Brita Prinz - Madrid; Museo de Ferrol. Egipto-Cairo: National Center of Fine Arts. França: Grand Palais - Paris; Salão “Saga 95”- Porte de Versailles; Château Royal de Collioure. Itália-Réggio: Centro Internazional di Arti e di Cultura; “Arte Fiera 93” (Feira Internacional de Arte) - Bologna. Japão-Fukuoka: Gallery Oishi e Gallery Fukuda. Lituânia-Vilnius: International Minigraphics. Macedónia-Bitola: International Triennial of Graphic Art. México: Museo de la Estampa. Polónia-Lodz: Panstwowa Galeria Sztuki. U.S.A.-Boston: Northeastern University. E ainda noutros locais de Andorra, Argentina, Bélgica, Brasil, Colômbia, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Japão, Portugal, Roménia e U.S.A.
Obras suas fazem parte de colecções particulares em diversos países e de colecções públicas em Argentina, Egipto, Espanha, Itália, Lituânia Polónia e Portugal.
Com algumas distinções em pintura, escultura e obra gráfica, o seu nome é referenciado em bibliografia originária de Portugal, Inglaterra, Itália e Brasil.







EXCERTOS DE NOTAS CRÍTICAS

«(…) Sérgio Sá avançou de uma pintura impressionista para uma síntese da realidade em que as manchas sugerem o objecto tratado, particularmente executado em minúsculas formas geométricas que são suporte da perspectiva (…).»
In O Primeiro de Janeiro, Jan. de 1976.

«(…) Encontramo-nos com uma obra em que se associam, numa síntese bem conseguida, acentos de dramatismo com acentos de lirismo que, longe de se estabelecerem contraditoriamente, se afirmam numa tensão que a enriquece (…).»
Joaquim Matos Chaves in catálogo da exposição O Dizer da Matéria, 1981.

«(…) Depara-se-nos, assim, um conjunto que concilia acusadas propensões expressionistas com declaradas referências de índole construtiva numa síntese capaz de efeitos que propiciam sugestões que, não sendo unívocas, favorecem, por sua vez, juízos ambivalentes, susceptíveis de estesias plenas (…).»
Joaquim Matos Chaves in catálogo da exposição Memórias, 1987.

«(…) não sendo um pintor da figuração, não o será do abstracto, em absoluto; afinal a sua pintura conta-nos histórias, dá-nos sugestões, traduz formas de dizer e de sentir… É uma expressão viabilizada pela sua própria feitura, em que abunda a intenção, o apelo à interpretação, ao sentir e, sobretudo, à imagem poética (…).»
Carlos Lança in Letras & Letras, Nov. de 1991.

«(…) Poder-se-á então dizer que a obra de Sérgio Sá mostra claramente uma evidência de coerência e autenticidade que nos é grato registar e que em última análise atesta e é certificado da qualidade estética deste operador plástico. Ser igual a si próprio, ou seja, pintar pintando-se, o que é, em análise serena e consistente, garantia de honestidade pessoal e profissional (…).»
José Coelho dos Santos in catálogo da exposição 20 Anos de Obra Gráfica, 1993.

«(…) uma pintura que corporiza o desejo incontido de um encontro entre o concreto e o abstracto, ou entre o objectivo e o subjectivo, ou, como preferirá Sérgio Sá, entre o sentir e o pensar… (…) O espaço, nascido de uma familiaridade sensorial afectiva, de homem-meio, tende a libertar-se do sentido denotativo para privilegiar uma outra esfera semântica, o da conotação, que assinala o desvio onde a sua arte se instala (…).»
Joaquim Matos in catálogo da exposição 25 Anos – 25 Obras, 1994.

«(…) Partiendo de referentes concretos, su pintura se nos presenta, a partir de cierto momento, con la autonomia propia de la distancia de la realidade de onde partió. Abandona el acto de la representación, los cauces del naturalismo y el realismo, representándose a sí misma. Preocupado por los valores del espacio y la materia, imprime a sus cuadros la fuerza enigmática de las masas abigarradas y deja em el lienzo una ventana abierta, um vacio por el que seguirán discurriendo sus preocupaciones estéticas.»
In Diario de Pontevedra, Ag. de 1994.

«(…) A sua força reside, do nosso ponto de vista, na permanente procura de uma realidade que nos transcende, bela e inacessível, fugaz e ilusória, mas em todo o caso uma realidade que se identifica com a síntese do Ser, explicitada de significações e de imagens que, em regra, nos fogem. (…) A maneira como confirma naturalmente os valores formais e pictóricos, substantivos e adjectivos, revela uma personalidade artística de invulgar determinação, de constância e singularidade, informativa, comunicante e criativa, mas sobretudo autêntica e real (…).»
Sérgio Mourão in O Comércio do Porto, Set. de 1994.

«(…) A partir do importante (porque decisivo) momento da sua carreira que foi o início dos Anos oitenta, a sua obra, embora possa ter como substrato referentes concretos, acaba por deles se desobrigar, pelo menos no que respeita aos aspectos exteriores desses referentes. Já não retrata situações; procura antes criá-las (…).»
Isabel Saraiva in catálogo da exposição Momentos de um Percurso, 1995.

«(…) demos pela pintura de Sérgio Sá há anos, em Bolonha, quando uma pequena multidão de alunos de Belas Artes se amontoava em frente de uma tela que este Mestre aí expunha. Aqueles estudantes, órfãos, como nós, de velhas civilizações, estavam fascinados ante aquela pintura que, em cores quentes e meridionais, transmitia uma poética emergente de um passado em desagregação (…).»
Agostinho Oliveira in catálogo da exposição Fragmentos, 1997.

«(…) pintura que altrapassa os limites da contemporaneidade e excede, no seu absoluto, a leitura de qualquer expressão literária. Ela tem – como a de outras masterpieces – a sua leitura própria. Adquiriu uma expressão autónoma de comunicação visual, onde quaisquer das suas muitas evidências de perfeccionismo técnico se diluem na intensidade sinestética da estrutura compositiva e nas sugerências que dela decorrem (…).»
José-Luís Ferreira in catálogo da exposição 30 Anos – 30 Obras, 2000.

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