sábado, maio 17, 2008

A política de Norton de Matos para Angola

As Edições MinervaCoimbra promoveram em Lisboa o lançamento do livro "A política de Norton de Matos para Angola 1912-1915", da autoria de Maria Alexandre Dáskalos. A obra foi apresentada pelo historiador Armando Malheiro da Silva, para quem a autora tem uma "escrita empolgada e desenvolta" e cujo livro representa "um contributo para as historiografias colonial portuguesa e sobre Angola".

Estudar Norton de Matos — Governador-Geral de Angola entre 1912 e 1914 — constitui também "uma incursão pela 'tarefa ingente' de pensar e perspectivar a Angola de hoje (independente desde 1975 e a viver, agora, o rescaldo superador de uma guerra fraticida, longa e apocalíptica), recuando no tempo o necessário para se compreender a dinâmica e os contornos complexos do processo histórico angolano moderno, balizado entre o final da Monarquia Constitucional e o eclodir da guerra colonial em 1961", refere o historiador.

Tal como confirma a análise de Maria Alexandre Dáskalos, também Armando Malheiro da Silva admite pensar da obra e acção do general em prol de um colonialismo perpetuador. "A concepção colonial de Norton de Matos, fruto de uma época e de uma mentalidade, baseou-se utopicamente na idealização do papel de Portugal como potência civilizadora com vocação e destino especiais, ditados pelo legado da ínclita geração e pelo 'caso brasileiro' no modo de relacionar-se com diferentes povos e culturas", refere.

"Uma concepção de colonialismo nacionalista e moderno capaz de articular vários matizes diferentes como o socialismo utópico, o eurocentrismo antropológico, o demoliberalismo político, o humanismo maçónico e o capitalismo de caris keyneseano avant la lettre", acrescenta ainda o apresentador da obra "A política de Norton de Matos para Angola 1912-1915".

Maria Alexandre Dáskalos, por seu turno, considera que o trabalho sobre a política de Norton de Matos para o primeiro período de governação coloca várias questões a nível da História. Desde logo uma questão de partilha. “A história colonial faz parte, neste caso, da História de Portugal pois é o estudo do paradigma de uma figura de excepção da História contemporânea portuguesa”, afirma.

Uma segunda questão “é ser uma história conjuntural quando muitos académicos desta área defendem a longa duração pelas características das chamadas sociedades frias africanas e pelo carácter da presença portuguesa no império africano até ao Ultimato”, acrescenta a autora.

“Ao entender que esta história sobre um curto período de tempo merecia um estudo aprofundado foi porque entre 1912 e 1915 Norton de Matos, ainda que dando continuidade a políticas herdadas da monarquia liberal, lançava as bases da Angola da modernidade que sobreviveu mesmo depois da independência”, refere Maria Alexandre Dáskalos.

A historiadora, que pretende continuar com actual investigação com vista a um trabalho mais aprofundado, recordou ainda que ao período analisado neste seu livro estão ligadas várias polémicas. Uma, que se pretende esclarecer na obra, “é que a colonização de base não era de degredados mas sim de emigrantes pobres”. Outra “é que no primeiro mandato, contrariando outros estudos, podemos afirmar que houve uma aliança entre os angolenses e Norton de Matos”.








Maria Alexandre Dáskalos nasceu no Huambo (Angola) em 1957. Integrou a Comissão Nacional de Dinamização de Cooperativas (Gabinete do Primeiro-Ministro), em Angola, em 1975-1976. Fez parte da Direcção Nacional de Formação de Quadros no Ministério da Agricultura e foi funcionária do Departamento para o Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas em Luanda (1982-1985). Foi directora da empresa de formação informática Datangol (1988-1991). De 1979 a 1981 frequentou o curso de História na Universidade Agostinho Neto, tendo-se aí iniciado nos estudos africanos, particularmente na história de Angola. Ainda em 1911 saiu a sua primeira obra como poetisa.

Em 1992 radicou-se em Portugal. Desde 1996 é comentadora de actualidade política na RDP África. Em 2000 licenciou-se em História e em 2005 obteve o grau de mestre em História dos séculos XIX e XX, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Actualmente é doutoranda naquela instituição, onde também é investigadora, no Instituto de História Contemporânea.

Dedicando-se à História angolana colonial, colaborou em vários periódicos, nomeadamente nas revistas Angolê e Ler História.

Lançamento em Leiria: Até o Diabo tem as malas feitas

terça-feira, maio 13, 2008

Pintura de Joaquim de Sousa na Galeria Minerva

João Aguiar, Isabel de Carvalho Garcia e Joaquim de Sousa


“Manchas e traços, luz e sombra” é o título da exposição de pintura de Joaquim de Sousa patente na Galeria Minerva até 24 de Maio. Da sua pintura, refere o escritor João Aguiar no catálogo da exposição que Joaquim de Sousa cria “sem pretender transmitir qualquer mensagem. Sem se submeter a obsessões, nem a correntes definidas; sem pensar no seu lugar na História. Sem se arrogar o problemático estatuto de génio incompreendido”.

Mas sim “assumindo a saudável, preciosa liberdade de ouvir exclusivamente a sua vontade, o seu gosto e a ideia que lhe aparece sem explicações eruditas e complicadas”. Passando sem transição da paisagem e da natureza morta ao abstracto, do formalmente convencional ao simbólico, da luz misteriosa e da transparência do vidro ao retrato de uma flor, a mensagem da pintura de Joaquim de Sousa só toma forma quando chega aos olhos do observador. “E é certamente diferente para cada um de nós. E esse é o segredo”, conclui João Aguiar.

Joaquim de Sousa nasceu em 1943 em Mangualde e reside em Oeiras. Possui o Curso das Escolas Industriais e é desenhador gráfico publicitário. É o capista e ilustrador de todas as crónicas e romances do escritor João Aguiar. Entre as exposições em que participou destacam-se as colectivas no Instituto Politécnico de Portalegre, Museu da Fotografia de Elvas e Feitoria de Oeiras (Colégio Militar).

A exposição pode ser visitada de segunda-feira a sábado, das 1oh00 às 13h00 e das 14h30 às 19h00, na Galeria Minerva (Rua de Macau 52, Bairro Norton de Matos).


João Aguiar, Isabel de Carvalho Garcia, António Augusto Menano,
Joaquim de Sousa e José Alberto Garcia


Helena Rainha Coelho, João Aguiar, Isabel de Carvalho Garcia,
António Augusto Menano,
Joaquim de Sousa, Rako e José Alberto Garcia













(Colecção Particular)










“O Tigre Sentado” de João Aguiar na Livraria Minerva

António Augusto Menano, Isabel de Carvalho Garcia e João Aguiar


A Livraria Minerva promoveu uma sessão de apresentação do livro “O Tigre Sentado”, de João Aguiar, com chancela da Livros do Oriente.

O romance, que tem Macau como cenário, conta a história de José Luís do Rosário e Wong Lai-lin (ou Madalena Wong), ambos jovens macaenses, conhecidos desde os tempos da adolescência e que, ao fim de alguns anos, se reencontram precisamente quando há um assassinato em cuja resolução ambos se envolvem.

A obra foi apresentada por António Augusto Menano que dissertou sobre a literatura lusófona de Macau, considerando João Aguiar, com este seu livro “O Tigre Sentado”, o terceiro em que Macau está presente, como fazendo parte “dos escritores em língua portuguesa que ajudam a definir a face do Território e participam na construção de uma literatura evocativa, representativa de uma realidade”.

Segundo afirmou, “há no romance uma visão da sociedade de Macau, Ou Mun para os chineses, sociedade de tolerância que nós portugueses ajudamos a fazer, com engenho, sabedoria e alguma ligeireza”.

O romance foi originalmente editado em fascículos no diário macaense “Ponto Final” que, pretendendo assinalar o 5.º aniversário da RAEM, em 2004, convidou cinco escritores portugueses a escrever outras tantas obras inéditas com referência a Macau.

João Aguiar nasceu em Lisboa em 1943, sendo licenciado em Jornalismo pela Universidade Livre de Bruxelas. Publicou, entre muitos outros, “A Voz dos Deuses”, “Os Comedores de Pérolas”, “A Encomendação das Almas”, “Navegador Solitário”, “Inês de Portugal”, “Diálogo das Compensadas”, “Uma Deusa na Bruma” e “O Jardim das Delícias”, além da série juvenil “O Bando dos Quatro”.

Parte da sua obra está traduzida em Espanha, Itália, Alemanha e Bulgária.

O texto de António Augusto Menano, intitulado "«O Tigre Sentado» de João Aguiar e a Literatura Lusófona de Macau", pode ser lido na íntegra na edição de dia 12 de Maio do suplemento "das Artes das Letras" do diário "O Primeiro de Janeiro", disponível aqui.








sábado, maio 03, 2008

Media & Jornalismo (CIMJ) n.º12

Imagem da capa: Marcelo d'Salete - www.dsalete.art.br

No âmbito do Seminário Luso-Brasileiro "Censura, Ditadura e Democracia", que decorre nos dias 8 e 9 de Maio, em Lisboa, promovido pela Fundação Mário Soares, com a colaboração da Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (ECA/USP), e do Centro de Investigação Media e Jornalismo de Lisboa (CIMJ), realiza-se, no dia 8, quinta-feira, às 18h00, o lançamento do número especial da revista Media & Jornalismo (CIMJ) n.º12.

Subordinado ao tema ESTUDOS DE TEATRO E CENSURA. PORTUGAL-BRASIL, sob a orientação de Ana Cabrera, a obra será apresentada por Graça Santos (Universidade de ParisX-Nanterre).

A revista Media & Jornalismo é uma revista do Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ) dirigida por Nelson Traquina, Estrela Serrano e Cristina Ponte e publicada pelas Edições MinervaCoimbra.

Esta revista do CIMJ, editada desde 2002, é uma revista científica que tem como objectivo constituir um espaço de debate e divulgação da pesquisa realizada sobre os media e o jornalismo, dentro e fora do país.


Editorial
Uma espécie de tirania do presente dita hoje a agenda contemporânea, remetendo a memória e a sua arqueologia para a esfera do saudosismo, centrando a vida quotidiana no progresso e nas realizações do imediato. Mas a verdade é que o ser humano tem memória e essa memória é fundamental para um agir consciente. Nenhum presente existe sem um passado.

Investigar o passado é muitas vezes investigar, não necessariamente o que foi dito, mas os seus silêncios, fruto de forças políticas no poder, que usaram mecanismos conscientes e deliberados para manipular o conhecimento e inibir desejos, atitudes, emoções e criatividade individual. A censura é um destes mecanismos. Nestas circunstâncias os agentes do poder usam a memória colectiva, e manipulam-na, na medida em que controlam os mecanismos de difusão do conhecimento.

Foi isto que aconteceu no Estado Novo em Portugal, tal como em outros países que conheceram ditaduras. Trazer à actualidade as formas como os regimes de Salazar, Caetano e Vargas controlaram a informação é realizar uma espécie catarse social no sentido de consciencializar os mecanismos de controlo que afectam as nossas realizações simbólicas e culturais e assim impedem o exercício pleno da liberdade.

O número 12 da Revista Media e Jornalismo, organizado por Ana Cabrera, apresenta uma série de estudos sobre a censura ao teatro em Portugal e no Brasil durante regimes que, nos dois países, tomaram o nome de Estado Novo.
Em Outubro de 2006, o Curso de Comunicação e Artes da Universidade de S. Paulo estava a realizar vários projectos de investigação em torno do Arquivo Miroel Silveira. Este Arquivo contém os processos da censura ao teatro no período do Estado Novo brasileiro. Foi com base neste arquivo que se realizaram diversos estudos em S. Paulo, que depois deram origem ao seminário Censura em Cena, onde foram apresentadas diversas comunicações e publicações.

Ano e meio depois, apresentamos não só os resultados da investigação realizada no Brasil, mas também estudos sobre a censura ao teatro no Estado Novo que entretanto realizámos em Portugal.

Alfredo Caldeira, em “A censura a que temos direito”, traça o percurso da censura ao longo do século XIX e XX. Defende que ao longo da História, a imposição da censura e de práticas censórias foi justificada pelo “nosso” interesse, pela defesa dos interesses dos cidadãos ou, mais exactamente, dos súbditos. E, muitas vezes, a justificação é a própria liberdade de expressão e de pensamento. Por isso, a censura – dos livros aos jornais, do teatro ao cinema e às artes, da rádio à televisão ou à Internet – é uma realidade de muitos e diferentes contornos, com justificações e práticas as mais variadas, mas sempre com uma receita segura: defender os nossos espíritos de influências maléficas.

“A censura ao teatro no período marcelista” é o resultado da investigação centrada no Arquivo do Secretariado Nacional de Informação relativo às Actas e aos Relatórios da Comissão de Censura. Com base neste fundo da Torre do Tombo, Ana Cabrera centro o estudo da censura ao teatro em Portugal entre 1968-1974. O texto analisa o quadro legal, a organização dos Serviços de Censura e a forma de actuação das Comissões de Censura.
Graça Santos, em “A Política do espírito: O bom gosto obrigatório para embelezar a realidade”, analisa a forma como o salazarismo utilizou a arte para a sua propaganda e o seu prestígio e a acção de António Ferro que, à cabeça dos serviços de propaganda do regime, define a estratégia propagandista do Estado Novo em articulação com o mundo das artes, de forma a impor uma estética oficial do regime.

“Censura: O dano irrecuperável ao teatro brasileiro” é um depoimento de Renata Pallottini, poeta, ensaísta e professora, que viveu directamente os constrangimentos da censura, uma vez que se estreou no teatro profissional em 1964.

Maria Cristina Castilho Costa, Coordenadora Geral do Projecto Temático “A cena paulista: um estudo da produção cultural de São Paulo, de 1930 a 1970, a partir do Arquivo Miroel Silveira” apresenta os resultados da pesquisa. Neste artigo, incluem-se algumas análises dos tipos de censura. Este estudo demonstra que a censura no Brasil não foi apenas uma prerrogativa do Estado, mas foi também o resultado de uma aliança entre o Governo, a Igreja Católica, sectores conservadores da sociedade e a elite obscurantista, com a finalidade de impedir o espírito crítico e a liberdade na expressão artística.

Mayra Rodrigues Gomes, em “Palavras proibidas”, apresenta as conclusões de um estudo sobre as expressões e palavras que foram censuradas nas peças de teatro. Tem como corpus os processos de censura que constituem o Arquivo Miroel Silveira. Neste texto, a autora reflecte em torno dos pressupostos e subentendidos que estavam presentes na actuação do censor, e coloca em dados quantitativos as incidências detectadas. Paralelamente, faz emergir os focos, ou campos temáticos, privilegiados pelo censor.

“Teatro amador – uma rede de comunicação e sociabilidade para a comunidade lusófona na primeira metade do séc. XX” é um artigo de Roseli Fígaro, que estuda o Circuito Cultural do Teatro Amador e Operário Luso-brasileiro na cena paulista. Neste trabalho, que também tem origem no Arquivo Miroel Silveira, analisam-se as práticas culturais e comunicativas dos trabalhadores imigrantes portugueses em São Paulo, Brasil. A acção dos grupos de teatro amador concorreu fortemente para aproximar a comunidade lusófona, criando um verdadeiro espaço de sociabilidade e de cooperação.

A Direcção


Índice

Artigos A censura a que temos direito Alfredo Caldeira Censura: o dano irrecuperável ao teatro brasileiro
Renata Pallottini

A censura ao teatro no período marcelista
Ana Cabrera

“Política do espírito”: O bom gosto obrigatório para embelezar a realidade
Graça dos Santos

A cena paulista: um estudo da produção cultural de São Paulo, de 1930 a 1970 a partir do Arquivo Miroel Silveira
Maria Cristina Castilho Costa

Palavras Proibidas. Conclusões de um Estudo sobre Expressões Censuradas em Peças Teatrais
Mayra Rodrigues Gomes

Teatro amador – uma rede de comunicação e sociabilidade para a comunidade lusófona na primeira metade do séc. XX
Roseli Fígaro

Recensões
Isabel Ferin, (Coord.), (2006). A Televisão das Mulheres: ensaios sobre a recepção. Lisboa: Bond
Rita Figueiras

Felisbela Lopes (2007). A TV das Elites – estudo dos programas de informação semanal dos canais generalistas (1993-2005). Porto: Campo das Letras
Ana Luísa Rodrigues

Justin Lewis, Rod Brookes, Nick Mosdell, e Terry Threadgold (2006). Shoot First And Ask Questions Later: Media Coverage of the 2003 Iraq War. New York: Peter Lang
Nelson Traquina

Martinho, Francisco Carlos Palomanes e Pinto, António Costa (Orgs), (2007). O Corporativismo Português: Estado, política e Sociedade no Salazarismo e no Varguismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira
Lincoln Secco


sexta-feira, maio 02, 2008

Novidade


Uma identidade em (des)construção
A Figura de Jasão no Romance
Medea. Stimmen de Christa Wolf
e no Drama Manhattan Medea de Dea Loher

Maria Ângela Moreira Limas
Edições MinervaCoimbra/Centro Interuniversitário de Estudos Germanísticos
N.º 13 da Colecção Minerva/CIEG dirigida por Maria Manuela Delille

Livraria Minerva presente na Feira do Livro de Coimbra



A Livraria Minerva está presente na Feira do Livro de Coimbra 2008 com livros das Edições MinervaCoimbra, Campo das Letras e Sete Dias e Seis Noites.

Este ano, o stand da Minerva dá destaque especial aos livros sobre o período do Estado Novo.

Entre estes destacam-se os da Colecção Comunicação e Minerva Ciências da Comunicação (na área do jornalismo), da Colecção Minerva História e fora de colecção, entre os quais "Zeca Afonso Antes do Mito" de António Santos Silva e "De memória em Punho" de Alberto Vilaça.

A Livraria Minerva destaca igualmente as novidades das três editoras e ainda as obras sobre "Coimbra", para além da Colecção Poesia Minerva.



quinta-feira, maio 01, 2008

Violência familiar perturba a dignidade das pessoas

Isabel de Carvalho Garcia, João Maria André, Madalena Alarcão e João Redondo


“Violência familiar e Saúde Mental” foi o tema da terceira sessão do ciclo “A Mente: saúde e bem-estar” organizado pela Edições MinervaCoimbra, Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Mental (SPESM) e Serviço de Violência Familiar do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, no âmbito das Terças-Feiras de Minerva.

Comentada pelo professor universitário João Maria André, e com a participação do psiquiatra João Redondo e da psicóloga Madalena Alarcão, a sessão decorreu, mais uma vez, com uma intensa participação do público presente que, no final, proporcionou um aceso debate sobre o tema em causa.

Na sua intervenção, a primeira da noite, João Redondo começou por recordar o conceito de violência que engloba todas as formas de abuso crónico, ou seja, uma série de comportamentos que por acção ou omissão provocam dano físico ou psicológico à outra parte. Na maioria dos casos a figura do agressor é masculina, nomeadamente no caso da violência familiar.

Recorde-se que até meados do século XX o mundo foi essencialmente construído no masculino, e só em 1993, no âmbito da Conferência Mundial dos Direitos Humanos, realizara pela ONU em Viena, Áustria, se reconheceram oficialmente todos os direitos das mulheres como direitos humanos.

A violência familiar e a saúde mental estão, no caso da mulher, muitas vezes, directamente relacionadas. “Além de continuar a arcar com o fardo das responsabilidades de ser, simultaneamente, esposa, mãe, educadora e prestadora de cuidados e a ter uma participação cada vez mais essencial no trabalho, papéis não raras vezes em conflito, a mulher enfrenta uma significativa discriminação sexual, excesso de trabalho e violência doméstica e sexual”. Não admira, pois, que as mulheres tenham maior probabilidade que os homens de receber prescrição de psicotrópicos.

Mas a violência familiar pode atingir, além da mulher, também crianças, adolescentes e idosos. De acordo com o psiquiatra, director do Serviço de Violência Familiar do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra (Hospital Sobral Cid), “a violência doméstica, desqualificando e desconfirmando o outro, atinge a integridade do corpo, a liberdade de expressão, o direito à propriedade e perturba a dignidade das pessoas”.

Madalena Alarcão, docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, manifestou aos presentes algumas das suas preocupações relativamente à violência, começando desde logo pelas palavras vítima e agressor. Porque vítima, a palavra, é feminina e agressor é masculina, o que imediatamente empurra para a ideia de que as vítimas são mulheres e os agressores são homens. “O que prende a mulher a este conceito de vitimização, algo que não é agradável para a mulher e poderá vir a ser desqualificante para o homem”.

Para a psicóloga a violência não deixa de ser uma construção social. “Não quero com isto dizer que a violência é uma invenção, mas aquilo que nós pontuamos como violência, efectivamente, depende do contexto sócio-histórico-cultural do momento”. E se por um lado, durante anos se subvalorizou aquilo que se pode considerar comportamentos de violência, “hoje em dia, não sei se às vezes não corremos o risco de sobrevalorizar” esses mesmos comportamentos.

As sessões do ciclo “A Mente: saúde e bem-estar” têm lugar sempre às 21h30, na Livraria Minerva, em Coimbra, sendo a próxima, a decorrer no dia 13 de Maio, dedicada ao tema “Promoção da Saúde Mental: uma perspectiva desenvolvimental”, com as participações da pedopsiquiatra Beatriz Pena e do psicólogo Rui Paixão.

O ciclo termina no dia 27 de Maio com uma sessão intitulada “Saúde Mental: estratégias para a educação e sensibilização do público” que contará com as presenças de Fernando Almeida (médico de Saúde Pública), Hélder Lourenço (enfermeiro) e de Adriano Vaz Serra (psiquiatra).

Todas as sessões são comentadas por João Maria André (professor de Filosofia e encenador).






sábado, abril 26, 2008

Violência familiar e Saúde Mental

Prossegue na próxima terça-feira, dia 29 de Abril, o ciclo “A Mente: saúde e bem-estar” organizado pela Edições MinervaCoimbra, Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Mental (SPESM) e Serviço de Violência Familiar do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, no âmbito das Terças-Feiras de Minerva.

As sessões têm lugar sempre às 21h30, na Livraria Minerva (Rua de Macau, 52 – Bairro Norton de Matos), em Coimbra, sendo esta terceira sessão dedicada ao tema “Violência familiar e Saúde Mental”, com as contribuições do Dr. João Redondo (Psiquiatra), Coimbra, e da Prof.ª Doutora Madalena Alarcão (Psicóloga), Coimbra.

Com esta iniciativa, os organizadores pretendem contribuir para um envolvimento mais informado da comunidade, das famílias e do cidadão, mas também para o despertar da consciência do público e dos profissionais para o real ónus das perturbações mentais e dos seus custos em termos humanos, sociais e económicos. Ajudar a derrubar as barreiras associadas ao estigma e à descriminação associadas a estas problemáticas é outro dos objectivos deste ciclo que decorrerá até Maio.

O ciclo prossegue a 13 de Maio com uma sessão dedicada à “Promoção da Saúde Mental: uma perspectiva desenvolvimental”, com as participações da Dr.ª Beatriz Pena (Pedopsiquiatra), Coimbra, e do Prof. Doutor Rui Paixão (Psicólogo), Coimbra, e termina no dia 27 de Maio com uma sessão dedicada ao tema “Saúde Mental: estratégias para a educação e sensibilização do público” que contará com as presenças do Dr. Fernando Almeida (Médico de Saúde Pública), Coimbra, Enf.º Hélder Lourenço, Viseu, e do Prof. Doutor Adriano Vaz Serra (Psiquiatra), Coimbra.

Todas as sessões são comentadas pelo Prof. Doutor João Maria André (Professor de Filosofia e Encenador), Coimbra.

A iniciativa conta com os apoios do Grupo Violência: informação, investigação, intervenção, Rotary Club de Coimbra Santa Clara, Diário de Coimbra, Diário As Beiras, Hotel Dona Inês e Lizarran Coimbra.

sexta-feira, abril 25, 2008

A GEOGRAFIA FÍSICA DE PORTUGAL NA VIDA E OBRA DE QUATRO PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS

O Presidente do Conselho Directivo da FLUC, Prof. Doutor Carlos André, o Autor e as Edições MinervaCoimbra têm a honra de convidar V. Exas para a apresentação do livro

A GEOGRAFIA FÍSICA DE PORTUGAL NA VIDA E OBRA DE QUATRO PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS
Amorim Girão, Orlando Ribeiro, Fernandes Martins, Pereira de Oliveira

de Fernando Rebelo

A apresentação será feita pelo Prof. Doutor António Ferreira Soares.

A sessão realiza-se no dia 28 de Abril, pelas 18h00, no Anfiteatro 3 da Faculdade de Letras.




A GEOGRAFIA FÍSICA DE PORTUGAL NA VIDA E NA OBRA DE QUATRO PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS Amorim Girão, Orlando Ribeiro, Fernandes Martins e Pereira de Oliveira foram quatro dos mais importantes professores portugueses de Geografia do século XX. Embora de gerações diferentes, os quatro tiveram contactos científicos entre si, marcaram de maneira mais ou menos profunda milhares de jovens estudantes e tornaram-se conhecidos de colegas de muitas universidades estrangeiras. Os quatro foram professores da Universidade de Coimbra, apesar de um deles, Orlando Ribeiro, ter vindo a desenvolver a sua carreira na Universidade de Lisboa. Os quatro trabalharam nas mais diversas áreas da Geografia. A Geografia Física de Portugal na vida e na obra de quatro professores universitários procura salientar o que eles publicaram nessa área, não deixando de enquadrar a matéria no conjunto das obras que nos legaram. Trata-se de um livro que resulta de 25 anos de trabalho do Autor na área em causa e do relacionamento que manteve com três dos quatro professores aqui evocados. Ler este livro é também fazer uma viagem pelo país que eles nos deram a conhecer.


Fernando Rebelo foi Vice-Reitor (1986-1996) e Reitor (1998-2002) da Universidade de Coimbra. Nascido em Espinho (1943), fez os seus estudos primários e secundários no Porto e universitários em Coimbra, onde se licenciou em Geografia pela Faculdade de Letras (1966) com a tese Vertentes do Rio Dueça. Assistente eventual desta Faculdade a partir de 1 de Junho de 1966, passou a Assistente (1969) e doutorou-se em Geografia Física (1975), com a tese Serras de Valongo – Estudo de Geomorfologia. Foi, então, Professor Auxiliar (1975-1978) e Professor Extraordinário (1978-1982), sendo Professor Catedrático da mesma Faculdade desde 1982. É Sócio Correspondente Nacional da Academia das Ciências de Lisboa (1993), tendo sido condecorado com a “Grã Cruz da Ordem de Mayo al Mérito”, da Argentina (2001), bem como com a “Grã Cruz da Ordem Renascença do Piauí”(2001) e com o grau de “Grande Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul”, do Brasil (2002).

Ao longo da sua carreira na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Fernando Rebelo leccionou, também, embora esporadicamente, nas Universidades de Aveiro, Açores, Porto, Lisboa, Limoges e Paris I (Panthéon-Sorbonne), tendo proferido conferências em muitas outras, entre as quais 17 Universidades do Brasil, mas também em Universidades de outros países, como as de Manchester (Reino Unido), León, Huelva e Internacional da Andaluzia (Espanha), Nacional de Córdova (Argentina), Macau (RAM/China) e Estudos Estrangeiros de Quioto (Japão). Colaborou na Verbo, Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura com cerca de 400 notas ou pequenos artigos. Além disso, entre livros, capítulos de livros, artigos, notas e recensões, tem mais de 250 títulos publicados. Em 1994, fundou a Territorium, Revista de Geografia Física Aplicada no Ordenamento do Território e Gestão de Riscos Naturais, hoje, Revista da Riscos, Associação Portuguesa de Riscos, Prevenção e Segurança, de que é Director. Integra o grupo de consultores da Finisterra, Revista Portuguesa de Geografia (desde 1995) e pertence ao "Consejo Asesor" da Polígonos, Revista de Geografia das Universidades de Castilla y León (desde 2003) e do Boletin de la Asociación de Geógrafos Españoles (desde 2008).

Últimos livros publicados:
. Percurso de um Reitor da Universidade de Coimbra (1998-2002), Coimbra, Imprensa da Universidade, 2002
. Riscos Naturais e Acção Antrópica, Coimbra, Imprensa da Universidade, 2003, 2.ª ed. revista e aumentada
. Reflexões sobre a Vida Universitária, Coimbra, MinervaCoimbra, 2004
. Uma Experiência Europeia em Riscos Naturais, Coimbra, MinervaCoimbra, 2005
. Viagens pelo Brasil. Impressões de um Geógrafo, Memórias de um Reitor, Coimbra, MinervaCoimbra, 2006